Entrevista coletiva de Luis ZubeldíaMarina Garcia/Fluminense FC

Rio - Luis Zubelía valorizou o trabalho deixado por Renato Gaúcho e sua comissão técnica ao analisar a vitória do Fluminense sobre o Botafogo por 2 a 0 no Maracanã, pelo Brasileirão. O argentino comandou o primeiro treino na última sexta-feira (26) e estreou à frente do time na tarde domingo (28).
"Primeiro, dar os parabéns a todos os jogadores, ao presidente, aos dirigentes e à comissão técnica que saiu, do Renato, que fez um bom trabalho até aqui. A equipe vinha bem, apesar do dado estatístico de muitos jogos sem ganhar o clássico. Creio que a equipe estava funcionando bem. Com a nossa chegada, só colocamos nosso grãozinho de areia, mas o trabalho do Renato junto com a comissão era bom. Infelizmente, ele não seguiu. Nós assumimos imediatamente para poder estar no clássico", disse Zubeldía.
"Confio que a equipe e os jogadores podem seguir fazendo um bom trabalho, crescendo. Continuar o que estavam fazendo de bom, corrigindo algumas coisas que às vezes não saem. E veremos. Muito cedo para dizer ou assegurar o que tem de melhorar. O mais importante para nós é ter uma organização prática e que a complexidade do jogo será dos jogadores através das relações, da mente. No futebol, creio que é isso: a combinação entre uma organização prática e a complexidade que dão os jogadores. O treinador não dá complexidade ao jogo, dão os jogadores. Eles crescem e estão bem, possivelmente a equipe estará bem", completou.
O treinador, assim com fez na entrevista coletiva de apresentação, explicou como vê o "futebol ideal". Na esteira dessa resposta, detalhou uma movimentação que Cano pode fazer dentro de campo.
"Sempre digo que o futebol ideal, para mim, é ter antagonismo. Se todos os jogadores vierem de apoio, cadê a surpresa? Se tem jogadores que vem de apoio e outros que vão em profundidade, temos o antagonismo de perfil de jogadores. Isso é muito importante para a minha maneira de ver o futebol, é o básico para fazer uma equipe organizada com bola e sem", contou o treinador.
"O Cano pode se transformarem um 9 e meia para depois terminar na área. Quando se transforma em um 9 e meia, ocorrem duas coisas: a profundidade dos extremos ou dos laterais, dependendo se temos esse tipo de laterais. No primeiro tempo, o Samuel (Xavier) fez isso. O Renê é um lateral mais posicional, sua profundidade é com pegada e chute, mas tínhamos o Serna, aí tínhamos profundidade. Se trocamos passes e damos um tempo a mais, o Germán já participa de dentro da área. Exemplo é o gol. Me parece algo importante da característica do Cano, que pode se transformar em um '9 meia'", prosseguiu.
Na coletiva, o treinador também valorizou Soteldo. O atacante chegou ao Tricolor no meio do ano, mas ainda não caiu nas graças da torcida.
"O Fluminense tem bons extremos, tem opções, jogadores com mais e menos experiência, jogadores do Brasil e de fora. Vou tratar de usar o que podemos do melhor nível. Já conhecia o Soteldo. Quando eu treinei a LDU, ele jogava no Zamora. O meu lateral-esquerdo era o Estupiñán, da seleção do Equador, e me recordo que esse extremo (Soteldo) complicou bastante a vida dele", afirmou Zubeldía.
"Conheço o Soteldo desde essa época. O torcedor sempre vai focar em um. O mais importante é ter caráter. Vamos ajudá-lo a melhorar, a somar para a equipe. Depois, o jogador faz um, dois gols, e a opinião muda. O futebol é assim. Espero que tanto ele quanto os demais possam fazer coisas bem, porque a equipe necessita dos extremos, necessita desse duelo individual, dessa profundidade", concluiu.