Zé Mario Sperry é um dos grandes nomes das artes marciais no Brasil e no mundo (Foto: Divulgação)

Poucos nomes atravessaram tantas fases do jiu-jítsu e das artes marciais brasileiras quanto Zé Mário Sperry. Campeão mundial, vencedor de títulos históricos no ADCC, protagonista da era de ouro do Pride no Japão e um dos fundadores da Brazilian Top Team, o discípulo de Carlson Gracie receberá no próximo dia 26 de junho a faixa coral, graduação reservada aos faixas-pretas que completam 31 anos de faixa-preta.
A cerimônia será realizada na Academia Mario Sperry Matriz, em Porto Alegre, com a participação especial do mestre Walter Mattos. A escolha de quem amarrará a faixa na cintura tem um significado particular para Sperry.
“Vou ter a satisfação de receber a faixa coral do meu sócio e grande amigo, Walter Mattos, que foi o grande responsável pela minha transição de atleta amador para atleta profissional. Foi ele quem me incentivou a abandonar minha carreira de economista e me dedicar ao esporte”, conta.
A homenagem leva Sperry de volta a 1996, ano em que conquistou seu primeiro título mundial na faixa-preta. Segundo ele, aquela vitória abriu as portas para uma nova etapa de sua carreira, enquanto o jiu-jítsu brasileiro ampliava sua presença nos principais cenários internacionais.
“Parece que foi ontem que eu comecei a treinar. Esse momento da faixa coral me remete diretamente ao meu primeiro Mundial como faixa-preta. Foi um divisor de águas”.
Ao longo de sua carreira, Sperry tornou-se uma das figuras centrais na expansão do jiu-jítsu e do MMA brasileiro pelo mundo. Em 1998, venceu a categoria até 99 quilos e o absoluto na primeira edição do ADCC, torneio considerado a principal competição de grappling do mundo. No MMA, ajudou a abrir caminhos para uma geração de atletas brasileiros que alcançou projeção internacional nos grandes eventos do Japão e dos Estados Unidos.
Entre os feitos que marcaram sua carreira está a participação na fundação da Brazilian Top Team, equipe que revelou nomes como Rodrigo Minotauro, Rogério Minotouro, Ricardo Arona e Paulo Filho. Ao olhar para trás, ele acredita que o principal legado construído por sua geração está ligado aos valores transmitidos dentro e fora dos tatames.
“O maior legado das artes marciais é a busca incessante pela excelência. Tudo que merece ser feito merece ser bem feito. Sempre procurei transmitir aos atletas a importância da ética, da moral, do respeito e da dedicação máxima ao treinamento”.
O reconhecimento da faixa coral acontece em um momento em que Sperry também busca se aproximar das novas gerações. Após a cerimônia, ele cumprirá uma agenda de seminários no Sul do Brasil, com passagens por Porto Alegre e cidades da região.
Segundo o mestre, os seminários foram pensados como um espaço de troca entre gerações de praticantes.
“Quero reunir atletas que treinaram comigo há muitos anos e conhecer os mais jovens que estão chegando agora. A ideia é compartilhar técnicas, mas também experiências de vida. Tudo o que vivi no ADCC, no Pride, no treinamento de atletas e nas viagens pelo mundo pode ajudar essas pessoas a enfrentar os desafios que encontrarão dentro e fora do esporte”.
Embora reconheça as transformações que o jiu-jítsu passou desde o início de sua caminhada, Sperry acredita que alguns princípios permanecem inalterados. Por isso, quando é questionado sobre o conselho que daria para quem sonha construir uma carreira duradoura na modalidade, ele recorre a uma frase que ouviu de um de seus mestres. “Não tenha medo de perder, mas tenha pavor de não tentar”.
A faixa coral simboliza mais de três décadas de compromisso com a arte suave. Para Sperry, porém, ela não simboliza um ponto final. Ao contrário, surge como o início de uma nova etapa.
“Quando colocar a faixa na cintura, vou entender que fiz tudo o que pude para elevar a qualidade do esporte e transmitir uma mensagem positiva para as futuras gerações. Mas também será um novo desafio. Vou precisar entender qual é a missão que Deus colocou na minha frente agora”, encerrou.