Joanna Maranhão desabafa: 'O Brasil é um país muito racista, muito machista'

Nadadora recebeu ataques e sofreu com o discurso de ódio de internautas

Por pedro.logato

Rio - Após a eliminação nos 200m borboleta, a nadadora Joanna Maranhão resolveu desabafar nas Redes Sociais. Ela já havia recebido ataques em sua página oficial, depois de ficar de fora da semifinal dos 200m medley. 

Além de críticas a visão política da nadadora, o discurso de ódio contra a nadadora chegou ao ponto de alguns internautas citarem o caso de estupro que Joanna sofreu na infância.

A nadadora criticou a cultura preconceituosa e machista e prometeu tomar medidas judiciais.

Joana Maranhão desabafou nas redes sociais Andre Mourão/ O DIA / NOPP

Leia abaixo o desabafo da nadadora

"Ontem à noite foi o dia mais difícil para mim. Tentei ficar fora de rede social, mas fui no Facebook e vi uma enxurrada de agressões. Alguns dizendo que eu merecia ser estuprada, que minha história é uma grande mentira. Eu tentei segurar a onda, mas agora eu desabafei. É muito duro receber esse tipo de tratamento", começou a nadadora.

"O Brasil é um país muito racista, muito machista, muito homofóbico, vem de uma cultura futebolística que as pessoas acham que quando chega em um esporte olímpico elas têm o direito de nos tratar como tratam um jogador de futebol quando não ganham. Acho que nem os jogadores de futebol merecem esse tratamento que a gente tem. Eles têm, nós muito menos".

"Eu sempre me posicionei politicamente, porque sinto que todo ser humano tem um papel a fazer, mas eu quero um país para todo mundo. Não quero que a Tais Araújo seja chamada de 'macaca', que a Rafaela Silva seja chamada de 'decepção', amarelona'".

"Felipe Kitadai, Charels Chibana, Sarah Menezes não entraram para perder. É muito difícil as pessoas entenderam isso. Mas passar para a linha do desrespeito é difícil. Treinei muito para ser a melhor nadadora do Brasil e não sucumbir à minha depressão, e de repente as pessoas me questionando, questionando minha história".

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