Jefferson Lacerda, uma inspiração nos tempos difíceis

Ex-canoísta da seleção brasileira tem projeto social em Ubaitaba e tirou dinheiro do próprio bolso para que o mito brasileiro não desistisse

Por pedro.logato

Rio - Jefferson Lacerda tem sua vida ligada às canoas. Representou o Brasil na modalidade nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 e criou um projeto para fomentar a modalidade em Ubaitaba, no sul da Bahia. De lá saiu o mito das canoas Isaquias Queiroz. E se não fosse o professor Lacerda, o maior talento do esporte no Brasil poderia ter ficado pelo caminho.

“A mãe dele (dona Dilma) o tirou da canoagem por falta de condições. Toda a família era bem humilde. Ela me disse que eram 10 irmãos e precisava da ajuda dele, que tinha uns 13 anos, já que o marido tinha falecido. Ele ganhava 50 reais por mês como carregador. Falei com um amigo, o Carlos Valério, e acertamos que cada um daria 100 reais. A gente já fazia isso com outros. Só tem quebrado aqui”, disse Lacerda.

Jefferson Lacerda tem projeto social em Ubaitaba arquivo pessoal

O professor só perde o rebolado para falar deJesús Morlán, treinador de Isaquias. Para Lacerda, o espanhol tem méritos, mas bem menos do que falam.

“O Isaquias saiu do c... do judas e já tinha mais de 10 anos de canoagem, era campeão mundial juvenil. Aí chega um espanhol ganhando 48 mil reais por mês e é o bam bam bam. Olha, nada contra ele. É um grande treinador, tem seis medalhas olímpicas, mas não venha me dizer que o formou. Ele lapidou o Isaquias, soube isolar, controlar. Mas ele é esperto”, disse Lacerda que está confiante na medalha, sábado, no C2 1000 com Erlon Silva.

“Essa medalha é a certa. É a do ouro. Eles merecem. Só não ganha se entrar aquele vento maldito. Na prova dele do C1 200m, se você reparar, do lado direito só o Isaquias ganhou medalha por causa de um vento que entra ali e desestabiliza a canoa."

CRÍTICAS AOS DIRIGENTES

Jefferson Lacerda representou o Brasil na modalidade nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992arquivo pessoal

Além de colocar dinheiro do próprio bolso para manter o projeto e os canoístas, Lacerda não tem nenhum apoio da Confederação Brasileira de Canoagem.

"Nosso projeto já teve mais de 1000 crianças e hoje são apenas 400. Agora todo mundo quer treinar. Mas a confederação só quer saber do alto rendimento. A Marinha também. E essa é a unica maneira que o miserável do atleta tem de um ganhar salário. Marinha e bolsa-atleta, que só te remunera se você tiver um bom resultado e não como investimento", conta, fazendo uma promessa de não deixar a canoa em Ubaitaba afundar:

"A canoagem em Ubaitaba não vai morrer jamais. Porque não temos nada, se nos tirarem tudo continuaremos igual. Eles (Isaquias e Erlon) vão arrebentar. E se não arrebentarem já são demais. Eles conquistaram duas medalhas. Já são ouro".

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