Rio - Um atleta guerreiro, raçudo, que não gosta de perder e acredita ser possível salvar todas as bolas. É assim que Rodrigo Alves de Mello, líbero da seleção brasileira de vôlei sentado, se define. E, não por acaso, seu espelho é um herói do esporte brasileiro que tem todas essas características: o carismático Serginho. Inspirando-se no bicampeão olímpico do vôlei, Rodrigo luta agora para dar à modalidade paralímpica a sua primeira medalha nos Jogos.
"Era um sonho conhecer o Serginho. Falei um dia que, como jogo como líbero na Seleção, meu espelho é o Serginho e, se tivesse a oportunidade de conhecê-lo, ficaria muito feliz. No dia seguinte, ele apareceu. É muito humilde, muito gente boa, fiquei realizado ao encontrá-lo”, conta Rodrigo, que teve o privilégio de conhecer o ídolo após a Olimpíada do Rio, no centro de treinamento do Comitê Paralímpico Brasileiro, em São Paulo.
Nascido em Mogi das Cruzes (SP), Rodrigo foi atropelado em 2003 e teve que amputar a perna esquerda. A partir daí, o vôlei sentado entrou na sua vida. “Como perdi minha perna muito jovem, confesso que nos primeiros meses fiquei muito deprimido, revoltado, não aceitava minha deficiência. Através do esporte, comecei a enxergar a vida com outros olhos, comecei a ver atletas com mais dificuldades do que a minha e a me espelhar para estar no mesmo patamar que eles”, conta Rodrigo, que antes do acidente jogava futebol: “Foi uma mudança muito radical. Eu jogava futebol, era atacante, canhoto e perdi logo a perna que chutava bem.”
A trajetória nas quadras rendeu frutos e Rodrigo integrou a seleção brasileira de vôlei sentado que conquistou duas medalhas em Jogos Parapan-Americanos: a prata em Mar Del Plata, em 2003, e o ouro no Rio, em 2007. Apesar do sucesso no vôlei sentado, Rodrigo se afastou um pouco do esporte. ‘Fiquei dois anos fora do esporte, tive problemas pessoais”, lembra.
Mas o amor pelas quadras foi mais forte. “Senti saudade. Comecei a trabalhar numa agência bancária e eu mesmo cheguei para a minha chefe e disse: ‘Não aguento mais trabalhar no banco. Meu negócio é esporte mesmo’. Não tive a felicidade de estar em Londres (2012). Mas agora, conseguindo essa vaga, estou totalmente preparado e disposto a ajudar minha equipe e colocar o Brasil num bom resultado no Rio”, avisa o líbero.