Por edsel.britto

Rio - O nadador Daniel Dias não precisou das mãos e nem dos pés para conquistar o mundo. Ganhador de 15 medalhas paralímpicas, dez de ouro, quatro de prata e uma de bronze, o maior fenômeno do esporte adaptado brasileiro pula hoje na piscina do Estádio Aquático Olímpico em busca de novos recordes pessoais. E, a se julgar pela determinação com que sempre encarou os desafios ao longo da vida, Daniel é forte candidato a subir ao pódio em até nove provas, em sua terceira Paralimpíada: hoje nos 200m livre. Além dos 50m e 100m livre, 50m borboleta, 50m costas, 100m peito e nos 4x100m livre, 4x50m livre misto e 4x100m medley.

Daniel Dias é o maior campeão paralímpico do Brasil%2C com 15 medalhas nos JogosCezar Loureiro / MPIX / CPB

“Estou mais experiente e mais velho (28 anos). São fatores que podem pesar, mas não me importo. Meu objetivo na verdade é melhorar as minhas marcas. E melhorando posso trazer algumas medalhas para o Brasil”, argumentou.

O nadador tem outros sonhos nas raias da vida. “Tenho algumas coisas a conquistar, e não são medalhas, mas, sim, o respeito do esporte paralímpico. Estou esperançoso que nos Jogos, em casa, as pessoas possam conhecer mais de perto o esporte adaptado e entender que é de alto rendimento e com grandes atletas”, afirmou.

BARREIRA DO PRECONCEITO

No entanto, para que o sonho de Daniel se torne realidade, o esporte paralímpico precisa primeiro quebrar de vez a barreira do preconceito que faz com que jovens atletas desistam muito cedo.

“O preconceito existe e na época em que era criança existia também, mas eu escolhi ser feliz. Quando falo em conquistar o respeito, é fazer com que as pessoas aprendam que a falta de uma perna ou de um braço é uma característica pessoal, mas isso não define ninguém. É o que vou tentar transmitir e conquistar”, desabafa o atleta, que nasceu com má formação congênita dos membros superiores e da perna direita e começou a nadar aos 16 anos, espelhando-se em Clodoaldo Silva, dono de 13 medalhas.

Exemplo no esporte paralímpico e na vida, Daniel se orgulha de ser uma referência para gerações de baixinhos, a começar pelos dois filhos, Asaph, de dois anos, e Daniel, de nove meses.

“Fico muito feliz em ser exemplo para as crianças. Sei que não sou o modelo padrão com mãos e pernas. Minha maior alegria e ver um pai me apontar para o filho e dizer que sou um exemplo a ser seguido. Aquela família entendeu o recado. Isso aqui (a deficiência) não define ninguém, o que define é a força, que está dentro de cada um de nós”, acredita o supercampeão.

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