Investimentos em fundos de petróleo têm maior crescimento em dois anos

Os quatro maiores contratos de petróleo negociados em bolsas (ETP) nos EUA receberam um total de US$ 334 milhões neste mês

Por parroyo

Os investidores estão colocando dinheiro em fundos que acompanham os preços do petróleo ao maior ritmo em dois anos, apostando na recuperação do preço da commodidy.

Os quatro maiores contratos de petróleo negociados em bolsas (ETP) nos EUA receberam um total de US$ 334 milhões neste mês até 20 de outubro, a maior cifra desde outubro de 2012, segundo dados compilados pela Bloomberg. As ações em circulação nos fundos, entre eles o United States Oil Fund e o ProShares Ultra Bloomberg Crude Oil, subiram para 55,3 milhões, seu máximo em nove meses.

O dinheiro está fluindo para os fundos porque o petróleo bruto dos tipos West Texas Intermediate (WTI) e Brent, referências para o comércio de petróleo nos EUA e no mundo, respectivamente, despencaram mais de 20 por cento cada em relação a seus valores máximos, registrados em junho. Assim, eles chegaram a uma definição comum de mercado baixista. Bancos, entre eles o BNP Paribas SA e o Bank of America Corp., predisseram que a perturbação no mercado do petróleo poderia acabar no futuro próximo.

“Há investidores que adoram pegar uma faca caindo”, disse ontem Dave Nadig, diretor de investimentos da ETF.com, empresa de análise de fundos negociados em bolsa (ETF) com sede em São Francisco. “É bastante fácil ver o que está acontecendo com o petróleo e dizer: ‘Bom, isto tem que tocar fundo em algum ponto’. Há muitos investidores que ainda acreditam que a tendência do petróleo no longo prazo tenha que ser de US$ 100”.

Os futuros do WTI subiram 40 centavos de dólar para US$ 82,89 por barril hoje as 9h24 na New York Mercantile Exchange. Os futuros prévios de um mês caíram para US$ 81,78 em 15 de outubro, o mínimo desde junho de 2012. O Brent subiu 70 centavos de dólar para US$ 86,92 por barril na ICE Futures Exchange, com sede em Londres, após ter afundado até US$ 83,78 em 15 de outubro, o menor valor em quatro anos.

Fundos

O U.S. Oil Fund, o maior ETP de petróleo, recebeu US$ 101,9 milhões. O fundo, que acompanha os preços do WTI, ganhou 0,5 por cento para US$ 31,30 ontem e caiu 11 por cento neste ano. O fundo ProShares, que segue o Bloomberg WTI Crude Oil Subindex, registrou um fluxo de entrada de US$ 192,7 milhões. As ações subiram 1,3 por cento para US$ 24,94 ontem.

O ProShares UltraShort Bloomberg Crude Oil, um ETP chamado inverso porque cresce quando o índice subjacente cai, teve um fluxo de saída de US$ 93,2 milhões neste mês.

Os investimentos em fundos também cresceram pela alta da volatilidade, disse John Hyland, diretor de investimentos da United States Commodity Futures Funds, uma gestora de ETP com sede em Alameda, Califórnia que administra o U.S. Oil Fund.

O CBOE Crude Oil Volatility Index, que mede as flutuações dos preços do petróleo utilizando opções do U.S. Oil Fund, subiu para 37,23 pontos em 14 de outubro, o maior valor desde julho de 2012, comparado com um mínimo recorde de 14,50 em junho. Ontem, o indicador registrou 27,14 pontos.

Aumento da produção

A queda nos preços do petróleo se deve a um aumento na produção da OPEP e dos EUA. No ano que vem, a produção de petróleo nos EUA alcançará seu maior número desde 1970, mostram dados do governo.

Em setembro, a Organização de Países Exportadores de Petróleo, que fornece cerca de 40 por cento do petróleo do mundo, extraiu 30,47 milhões de barris diários, a maior quantidade desde agosto de 2013, mostrou seu relatório mensal em 10 de outubro. O grupo tem agendada sua próxima reunião para o mês que vem em Viena.

“Todos estão tentando escolher um piso”, disse ontem Tariq Zahir, gerente de fundos de commodities da Tyche Capital Advisors em Nova York. “Os EFT são a forma mais fácil de envolver-se no petróleo. É por isso que estamos observando os grandes fluxos de entrada. O petróleo caiu um pouco excessivamente, rápido demais”.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia