Por monica.lima
São Paulo - Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) de fomento comercial foram uma boa opção de financiamento para as pequenas e médias empresas este ano em função da restrição do crédito e devem continuar sendo importante forma de captação de recursos em 2015 no novo cenário de ajuste fiscal. De acordo com a Associação Nacional de Fomento Comercial (ANFAC), os FIDCs estruturados pelas empresas associadas à entidade deverão passar de 60 no ano passado para 100 este ano, ampliando seu patrimônio total no período de R$ 3 bilhões para R$ 5 bilhões, num mercado total de R$ 8 bilhões registrados de fundos deste tipo na Comissão de Valores Mobiliários
O FIDC é um instrumento de captação de recursos no mercado de capitais, principalmente para empresas que tem alto comprometimento de dívidas bancárias em seu balanço, mas que têm grande capacidade de geração de recebíveis. Por terem menor custo, a emissão desses fundos tem crescido mais que as operações tradicionais de factoring, em que as empresas levantam recursos vendendo duplicatas.
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Segundo o presidente da Anfac, Luiz Lemos Leite, o fraco crescimento da economia e as incertezas sobre o país ao longo do ano levaram os bancos a serem mais seletivos e a restringirem a concessão de crédito, o que acabou levando as empresas a buscarem os FIDCs além das operações de factoring para garantir dinheiro em caixa e capital de giro.
“Os FIDCs têm sido cada vez mais utilizados por empresas. O fundo tem sido opção melhor que a operação de factoring para as empresas porque elas conseguem reduzir custo”, diz Leite. Ele informa que a taxa média que as empresas de factoring cobram para fazer a operação é de cerca de 3% e no FIDC esse porcentual cai para 2% a 2,5%. Além disso, diz, os fundos têm apresentado uma rentabilidade média de 15% ao ano. “São fundos com bom retorno e boa opção de investimentos”, afirma Leite.
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Segundo Fernando Fontes, sócio do banco Petra, especialista em estruturação, administração e custódia de FIDCs e principal parceiro da ANFAC na operação dos fundos, esta é a classe de ativos que mais cresce no mercado e engloba mais de 15% do total das operações de securitização.
Sobre o desempenho das empresas de factoring, a previsão da ANFAC é de que o movimento vai ficar bem abaixo do estimado no inicio do ano, de expansão de 20% sobre os R$ 100 bilhões registrados em 2013. Segundo Lemos Leite, se houver expansão será muito pequena. “Algumas empresas perderam clientes, outras recuperaram. Não teremos grande crescimento. O importante é que o fomento comercial é uma atividade flexível para trabalhar em diferentes cenários econômicos e tem sido solução para ajudar vários setores da economia e até grupo que não está dentro do nosso perfil”, diz. O foco principal das factoring, explica Leite, são as empresas de pequeno e médio porte.
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A precificação da compra de créditos vem subindo no mercado. O Fator ANFAC, indicador publicado diariamente pela Associação, que sinaliza o preço de referência de compra de créditos para o mercado do fomento comercial, estava em 3,95% na sexta-feira passada. As taxas médias de dezembro de 2013 era de 3,8% e a de dezembro de 2012, 3,56%.
A composição do fator leva em conta itens como custo - oportunidade do capital próprio, custos fixos, custos variáveis, impostos operacionais, despesas de cobrança e expectativa de risco/lucro.
Para 2015, o presidente da ANFAC acredita que o segmento de FIDCs deve apresentar uma expansão semelhante a deste ano, embora as operações de factoring devam manter o mesmo ritmo. De acordo com ele, para que haja avanço mais acentuado no segmento é necessário uma revisão tributária. “Já fizemos proposta para a Receita. Tem sido um luta constante ao longo dos anos”, diz, ressaltando, no entanto, que está otimista de que a nova equipe econômica possa tratar do tema. “São pessoas credenciadas. Acho que a equipe tem a sensibilidade necessária para tratar o assunto. Se não houver interferência da presidenta (Dilma Rousseff) eles poderão fazer bastante coisa. Mas, de qualquer forma, 2015 será um ano difícil”, avalia.
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