Por monica.lima
São Paulo - Com um crescimento de apenas 11% este ano no segmento de previdência privada, abaixo dos 20% estimados no início de 2014, a Mapfre Previdência e Saúde irá ampliar o seu público-alvo, hoje voltado para o cliente de alta renda em torno dos 30 anos, e espera alcançar em 2015 a meta que este ano ficou para trás.
De acordo com o vice-presidente da Mapfre Previdência e Saúde, Eduardo Freitas, além da Copa do Mundo e da eleição presidencial, que contribuíram de forma negativa, o setor ainda sofreu com o alongamento do vencimento de papéis que tinham em carteira e com o aumento da taxa de juro, o que gerou grande volatilidade e acabou afastando o investidor. “Não vou conseguir crescer acima do mercado, só 11% ante 10% do setor, um pouco a mais, mas é quase insignificante. Acho que foi um ano que passou e não vai deixar muita saudade”, diz. De acordo com o executivo, houve desvio de recursos para fundos incentivados, como as LCAs, LCIs, e o Tesouro Direto.
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Freitas ressalta que o perfil do jovem hoje é muito diferente do verificado há alguns anos e por essa razão a Mapfre está fazendo um estudo para entender quais são as prioridades desse jovem hoje e o qual é o tipo de linguagem e de mídia que deve ser usada para atingir esse segmento. “A minha propaganda hoje está focada no longo prazo, mas isso é distante do que o jovem consegue projetar hoje. Tem um pouco de desconectividade entre o público e o que estamos dizendo”, diz.
De acordo com o executivo, a ideia é remodelar o produto para alcançar o jovem de hoje que está focado em projetos e sonhos de mais curto prazo. “Estamos querendo entender como reconfigurar o produto, dentro do que a regulamentação permite, de forma a ser mais atrativo. Essa geração olha mais o curto prazo. Esses jovens são mais independentes, têm projetos pessoais, estão postergando o casamento e o filho e não são tão fiéis ao empregador como antigamente. Estamos imaginando que o plano de previdência precisa atender projetos de curto prazo”, diz, ressaltando, que as estratégias visam mostrar ao potencial cliente que ele pode fazer um plano de previdência para realizar um sonho. “Quando fizer 40 anos, ele para e realiza seu projeto de dar uma volta ao mundo. Depois, ele volta e começa tudo de novo”, explica.
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A partir da nova estratégia, o objetivo da Mapfre é fechar 2015 com R$ 3 bilhões em ativos sob gestão, ante R$ 2,4 bilhões este ano. Somente em vendas novas a meta é alcançar R$ 200 milhões, contra R$ 170 milhões em 2014.
Além da previdência, a seguradora espanhola também está otimista com o segmento de saúde. Além da parceira com o Banco do Brasil no País, a empresa começou a atuar este ano na área de planos de saúde e está em fase piloto com os próprios funcionários da Mapfre, o que já representa 15 mil vidas sob gestão. Para o início do ano, Freitas diz que já está em fase final de negociação com dois clientes privados o que deve levar a empresa a atingir 30 mil vidas no começo do ano. Para o final de 2015, a meta é 75 mil vidas e mais quatro empresas.
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O executivo explica que o novo modelo adotado pela Mapfre gera uma redução de custos com saúde para a empresa de 10% a 20%, dependendo do perfil do funcionário. “O redução com gastos vai depender do perfil da empresa e dos funcionários, mas, de início, já dá um redução de 10% a 20% nos gastos da empresa”, diz.
De acordo com ele, o modelo de negócio é pós-pagamento, ou seja, o funcionário usa o plano e a empresa recebe uma fatura da Mapfre informando quando foi gasto no período e efetua o pagamento. Além disso, o novo modelo também permite que o funcionário receba atendimento através de um call center para doenças simples, como uma dor de cabeça. “Muitas questões podem ser resolvidas com uma avaliação por telefone. Temos médicos para fazerem a teleorientação aos clientes. Além disso, em alguns casos vamos administrar uma clínica dentro da empresa”, diz, ressaltando que esse tipo de atendimento também contribui para reduzir os custos da empresa.
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