Mais Lidas

Santander entra no setor de cartões pré-pagos

Banco anunciou ontem compra de 50% da empresa de pagamentos Conta Super; Caixa, Banco do Brasil e Bradesco já investiram no negócio, que só ainda não tem atuação do Itaú

Por monica.lima

São Paulo - O Banco Santander Brasil anunciou ontem que fechou acordo para compra de 50% da Super, empresa de pagamentos que emite cartões pré-pagos. O valor da compra não foi informado. O Santander também não confirma se pretende comprar o controle da empresa, por R$ 1,1 bilhão, como fez com a credenciadora GetNet em 2014, quatro anos após fechar a parceria com a empresa.

A operação já estava sendo negociada desde o final do ano passado. O Santander vem ampliando sua atuação no segmento de cartões. A carteira de empréstimos do banco no segmento em setembro estava em R$ 16,86 bilhões, ante R$ 17,22 bilhões em dezembro de 2013. A Super, por sua vez, tem cerca de 180 mil clientes. Segundo o Grupo Setorial de Pré-Pagos (GSPP), o faturamento dos cartões deste tipo em 2014 atingiu R$ 200 bilhões. Nos Estados Unidos, a cifra aproxima-se de US$ 1 trilhão.

Agora, dos cinco maiores bancos brasileiros, falta apenas o Itaú Unibanco definir sua estratégia em pré-pagos. Em setembro do ano passado, a Caixa comprou 49% da Vale Presente para usar a plataforma para todos os cartões pré-pagos, inclusive os de benefícios sociais pagos pelo governo. O Banco do Brasil e o Bradesco saíram na frente com a Alelo, a maior empresa de vaucher refeição do país.

“O modelo de negócios da Super é estratégico, pois proporciona a uma parcela importante da população o primeiro contato com serviços financeiros”, afirma Conrado Engel, vice-presidente executivo sênior de Varejo do Santander. “Além de contribuir para a bancarização, essa parceria complementa nossa oferta e se soma a outros movimentos importantes que fizemos no setor de meios de pagamento, como a aquisição da GetNet, na área de adquirência, e a joint venture com a sueca iZettle, para transações móveis”.

Boanerges Ramos Freire, presidente da Boanerges & Cia. Consultoria em Varejo Financeiro, acredita que a intenção do banco seja atrair o clientes não-bancarizados para sua base com o produto.

Na prática, o cartão pré-pago é um instrumento que facilita o relacionamento entre a população bancarizada e aquela ainda sem acesso ao sistema bancário, por meio da transferência de recursos. As contas de pagamento, como a ContaSuper, podem ser utilizadas pelo correntista do banco, por exemplo, para remunerar funcionários, depositar crédito no cartão pré-pago para as compras do mês, pagar a mesada dos filhos ou mesmo carregar com moeda estrangeira para as viagens ao exterior.

Para a Super, o negócio permite recuperar uma parte do dinheiro investido e ao mesmo tempo contar com novos investimentos para crescer. “Nossa operação ganha uma nova escala a partir da associação com o Santander, além de nos trazer novas possibilidades de negócios”, afirma o presidente da Super, Marcio Salomão. “É o que precisamos para aumentar nossa atuação e ganhar mais espaço em um mercado extremamente promissor”.

Para Freire, há uma tendência de consolidação, com grandes instituições financeiras comprando essas empresas de pagamentos independentes que investiram no negócio de pré-pagos. Ele observa que os bancos demoraram um pouco para perceber a importância desse mercado, que já existe desde o final dos anos 1970, quando surgiu o tíquete alimentação, dentro do programa de alimentação do trabalhador (PAT) do governo federal. Hoje, o objetivo é atrair novos clientes para o sistema financeiro.

A compra da Super pelo Santander queima etapas no processo, diz Freire. “O mundo do pré-pago complementa o ciclo dos cartões de crédito e débito”, diz Freire. O primeiro movimento dos pré-pagos foi o de empresas ou empregadores oferecendo benefícios aos funcionários, como refeição, alimentação ou transporte — a mais nova modalidade é o vale cultura. O governo também usa esses cartões para pagamentos de benefícios e pensões. Depois, os próprios consumidores passaram a comprar para si, seja para pagar prestadores de serviços domésticos, seja para carregar com moeda estrangeira — essa modalidade chegou a ser bastante popular mas caiu praticamente em desuso há pouco mais de um ano quando o governo equiparou o imposto dos cartões de crédito. A nova frente é a da bancarização.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia