Moody’s estuda rebaixar notas de bancos

Depois de passar a perspectiva do setor para negativa, em outubro, agência de risco diz que está revendo atentamente os dados dos balanços do último trimestre de 2014

Por monica.lima

São Paulo - Estamos atentos e revendo nossas avaliações de todos os bancos brasileiros, de grandes a pequenos, em relação a suas concentrações de risco de crédito em carteira. A informação é de Ceres Lisboa, vice-presidente da agência de classificação de risco Moody's Investor Services. A reavaliação está ligada aos riscos impostos pela investigação de 24 empresas, todas com empréstimos nos bancos, na Operação Lava Jato.

“Nos grandes há maior diluição, já os pequenos e médios não tem exposição direta mas tem risco diferente, indireto. Estamos olhando para todos com as mesmas lentes”, disse em entrevista ao Brasil Econômico. Em janeiro, a Moody's rebaixou as notas do Banco Pine, por excesso de concentração — ou seja, muitos empréstimos concedidos a poucas empresas dos mesmos setores (açúcar e álcool e construção). Em fevereiro, a agência rebaixou a Petrobras, tirando seu grau de investimento (baixo risco). Em outubro, havia mudado a perspectiva para o setor bancário brasileiro de “estável” para “negativa”.

“Estamos analisando a nova safra de balanços, do quarto trimestre de 2014. Os bancos estão segregando as exposições que tem às empresas envolvidas na Lava Jato e aumentando suas provisões. Vamos ver novos aumentos no primeiro trimestre, depois dos aumentos promovidos no quarto trimestre. A inadimplência vai aumentar com o desaquecimento da economia e com os reflexos da Lava Jato. E quanto mais provisões, menores os lucros”, afirmou.

A Moody's prevê um ambiente pior para os bancos brasileiros em 2015, mas admite que as elevadas taxas de juros e a diversificação das fontes de receitas vão manter o desempenho bom. “Os números serão piores, mas não estamos falando de prejuízos. Haverá impacto, mas não será relevante”, acredita.

Na semana passada, a Moody's divulgou o relatório “Petrobras Contagion Risks for Banks Extend to the Broader Oil and Gas Sector” (“Bancos brasileiros poderiam enfrentar efeito cascata decorrente de parceiros da Petrobras”), antes de a petroleira informar que iria vender US$ 13,7 bilhões em ativos. Segundo Ceres, esse anúncio não alterou a opinião da Moody's.

“A venda de ativos anunciada pela Petrobras ainda não aconteceu, portanto nossas análises permanecem; é preciso esperar para ver os resultados”, disse. “Mas, provavelmente, os efeitos serão benéficos em termos da percepção do risco da Petrobras, e com isso os bancos podem decidir emprestar mais para a empresa; os bancos continuam vendo a Petrobras como empresa viável, e se a venda de ativos for bem sucedida poderemos ver os bancos aumentando a oferta de linhas para a empresa”.
Os bancos públicos tem maior exposição a Petrobras - principalmente o BNDES. “Mas Caixa e Banco do Brasil (BB) também tem grande exposição, embora nesses dois casos haja uma diluição do risco porque as carteiras de ambos são grandes e diversificadas”.

De qualquer forma, os três tem capital extra para garantir suas operações. O relatório da Moody's mostra que em setembro de 2014, o BNDES tinha um capital de R$ 107,15 bilhões, com índice de Basileia de 17,5%, ou R$ 39,90 bilhões a mais do que o requerido pelo Banco Central. Já o BB tinha em dezembro capital de R$ 126,59 bilhões, o que representava um índice de Basileia de 16,1%, ou R$ 40,13 bilhões acima do exigido; a Caixa, por sua vez, tinha capital de R$ 74,01 bilhões em setembro, ou Basileia de 15,3% — o que significa um colchão adicional de R$ 20,87 bilhões.

Ceres diz, porém, que o fato de eles terem margem de segurança não significa que não haja problemas — existem, sim, só que eles estão conseguindo lidar com eles. “Nos últimos anos os bancos reestruturaram suas carteiras de crédito mudando o mix para lidar com a alta da inadimplência, por exemplo. Foram bem-sucedidos. Mas deu trabalho”, diz.

Ela lembra ainda que desde 2012, último ano de crescimento acelerado do crédito, os bancos vem investindo mais em seguros e outros serviços.

S&P reduz nota do Banco do Brasília

Na sexta-feira, outra agência de classificação de risco, a Standard & Poor’s (S&P), anunciou o rebaixamento da nota em Escala Nacional Brasil, para ‘brA+/brA-2’, e reafirmou os ratings ‘BB/B’ na escala global do Banco de Brasília (BRB). Segundo a S&P, os ratings do BRB refletem a posição de negócios “fraca” do banco, a sua posição de risco “adequada”, a avaliação do seu capital e rentabilidade “adequada”, a sua base de captação de recursos (funding) “média” e a sua liquidez “adequada”.

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