Standard & Poor’s prevê cenário pior para bancos do país até 2016

Qualidade das carteiras e rentabilidade são afetadas por recessão, mas juro alto ajuda

Por monica.lima

São Paulo - A agência de classificação de risco Standard & Poor’s vê cenário pior para os bancos brasileiros nos próximos 12 a 18 meses. “Dada a probabilidade de um terço de nossa avaliação de risco econômico do setor bancário brasileiro se deteriorar, avaliamos a tendência como negativa. Esperamos que o sistema financeiro brasileiro entre em uma fase de correção”, disseram os analistas chefiados por Jose Perez-Gorozpe, em relatório divulgado na sexta-feira.

Essa fase de correção, diz a S&P, contrabalançará a recente melhora na qualidade dos ativos e rentabilidade dos bancos. “Nos últimos dois anos, o foco dos grandes bancos tem sido os ativos menos cíclicos e mais seguros, os quais, em nossa opinião, lhes possibilitarão enfrentar a economia fraca. Por outro lado, acreditamos que os bancos de pequeno e médio porte, que se concentram em empréstimos a pequenas e médias empresas e têm maior exposição aos setores cíclicos, sofrerão perdas de crédito significativas, o que poderia levar a uma revisão para baixo de nossas avaliações do capital e rentabilidade e da posição de risco desses bancos”.

A rentabilidade e a qualidade das carteiras de crédito devem piorar devido basicamente à recessão econômica. O ainda baixo PIB per capita do país e a grande atuação dos bancos públicos contribuem para distorções. Por outro lado, as ainda altas margens de juros e os robustos colchões de provisões contra devedores duvidosos devem ajudar os bancos brasileiros a enfrentar o período difícil à frente. A S&P espera contração econômica de 1% no Brasil este ano e crescimento do PIB real de 2,0% em 2016 e 2,3% em 2017.

Segundo os analistas, a magnitude e duração da fase de correção dependeriam, contudo, das medidas do governo para recuperar a credibilidade do investidor. “Em nossa visão, se as condições econômicas frágeis persistirem além de 2015 e a recessão continuar em 2016, a qualidade dos ativos e rentabilidade dos bancos poderiam se deteriorar além de nossas expectativas, aumentando o risco de falência”.

No entanto, a agência ainda considera estáveis as condições macroeconômicas para o setor. “Não esperamos riscos adicionais resultantes da estrutura institucional e do funding do sistema nos próximos anos. Além disso, acreditamos que o aumento nas taxas de juros e o crescimento mais lento dos bancos públicos beneficiarão o desempenho dos bancos privados, permitindo-os estabilizar suas margens e recuperar sua participação de mercado, embora esperemos que leve alguns anos para que isso ocorra, dado o atual enfraquecimento econômico no Brasil”, diz o relatório.

A agência explica que a forte presença dos bancos públicos no sistema financeiro brasileiro tem causado distorções significativas neste e enfraquecido as dinâmicas competitivas nos últimos anos. Por outro lado, afirma que a regulação financeira do país tem melhorado graças à sua cobertura abrangente e ao alinhamento com os padrões internacionais.

“O sistema bancário brasileiro também apresenta uma composição de captação de recursos (funding) adequada, com uma base de depósitos de clientes estável e acesso satisfatório aos mercados de capitais doméstico e internacional. Além disso, a dependência dos bancos de funding externo é relativamente baixa — 7,3% dos passivos totais do sistema”, diz o relatório.

A S&P classifica o setor bancário do Brasil (rating BBB-/Estável/A-3 em moeda estrangeira, BBB+/Estável/A-2 em moeda local e brAAA/Estável/-- em Escala Nacional Brasil) no grupo 5, de acordo com sua Avaliação do Risco da Indústria Bancária (BICRA, na sigla em inglês para Banking Industry Country Risk Assessment).

Outros países no grupo 5 são Colômbia, Panamá, Índia, Polônia e China. Nesse grupo, a maioria tem nota 5 para seis diferentes critérios analisados (desequilíbrios econômicos, resiliência econômica, risco de crédito na economia, estrutura institucional, dinâmica competitiva e funding do sistema). O Brasil só supera a média dos outros países, com nota 6, no critério resiliência econômica.

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