Por parroyo

São Paulo - Depois de cinco semanas no azul, o Ibovespa sofreu o impacto da aversão ao risco que se espalhou pelas bolsas do mundo e acumula queda de 1,37% nos últimos quatro pregões. O mau humor reflete o aumento da tensão na Europa entre Rússia e Ucrânia. Em abril, o índice ainda apresenta ganho  de 1,95%. No ano, a perda é leve, de 0,21%.

“A tendência de alta permanece no curto prazo embora exista espaço para realizações no intervalo de 50.500 até os 49 mil pontos, sem que o viés altista seja comprometido. À medida que o índice for caindo, novas oportunidades de compra podem aparecer”, disse o analista técnico da Clear Corretora Raphael Fiqueiredo. Na sexta-feira, o Ibovespa terminou em queda de 0,81%, aos 51.399 pontos.

Caso aconteça nova onda de altas, o patamar dos 52.400 pontos será decisivo. Se ultrapassado, abre espaço para a busca dos 55 mil pontos. “Embora tenha diminuído um pouco, o fluxo de capital estrangeiro continua intenso, o que confirma a atratividade da bolsa brasileira”, pontuou o analista.

Na avaliação do economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa, o Ibovespa deve continuar atrelado aos principais índices americanos na próxima semana. O índice deve receber influência das preocupações com a tensão na Europa e também de importantes indicadores. 

A agenda americana está recheada de dados importantes. Na quarta-feira, o Produto Interno Bruto (PIB)  será divulgado e a expectativa é que mostre alta de 1% no primeiro trimestre. Nos três últimos meses de 2013, a economia cresceu 2,6%. “O número mais fraco, que reflete o inverno rigoroso, já está precificado. As projeções para o PIB no segundo semestre já estão em torno de 3%”, disse Rosa.

Outro evento a ser acompanhado de perto é a decisão da taxa de juros que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anuncia na quarta-feira. Tudo indica que a taxa deve ser mantida entre zero e 0,25%.

“Mas a autoridade monetária pode dar pistas sobre um possível aumento de juros mais cedo que o esperado. O mercado vai ficar de olho”, afirmou o economista, para quem o Fed vai anunciar sem surpresas mais um corte de US$ 10 bilhões no programa de compra de títulos, ao ritmo mensal de US$ 55 bilhões.

Na sexta-feira, será conhecido o relatório geral de emprego dos Estados Unidos (Payroll) referente a abril, dado visto como termômetro para a força do crescimento da economia. A projeção é que criação de 204 mil novas vagas de trabalho, acima dos 192 mil postos gerados em março.

Ainda em âmbito internacional, na noite de quarta-feira será divulgado o índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) da China. A projeção é que o indicador tenha leve avanço de 50,3 para 50,5 pontos na passagem de março para abril. Números acima de 50 pontos indicam avanço na atividade.

Na agenda doméstica, o destaque fica com o índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) de abril. A projeção é que o indicador de inflação mostre desaceleração depois de subir de 1,67% em março. 

Você pode gostar