Dados dos EUA e Europa pressionam e Ibovespa cai 1%

Papéis da Petrobras e de bancos puxaram o índice para baixo. Aversão ao risco levou à alta do dólar, cotado a R$ 2,22

Por parroyo

São Paulo - O mau humor prevaleceu nas bolsas de todo o mundo em meio a dados da economia dos Estados Unidos e o crescimento abaixo do esperado da Zona do Euro nesta quinta-feira. O Ibovespa acompanhou o movimento e terminou em queda de 1,02%, para os 53.855 pontos, pressionado pela queda das ações da Petrobras e dos bancos. O giro financeiro foi de R$ 5,2 bilhões.

As ações da estatal (PETR4) recuaram 1,42%. Entre as maiores baixas do setor financeiro, os papéis do Bradesco caíram (BBDC4) 1,27% e as do Itaú (ITUB4) perderam 0,75%.

Na agenda, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP-10) desacelerou de 1,19% para 0,13% na passagem de abril para maio. Na avaliação da Guide Investimementos, a desaceleração dos preços é uma tendência que deve ser verificada nas próximas divulgações do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A corretora prevê que o índice deve vir em um nível ainda alto, mas dentro do intervalo da meta de inflação fixada pelo governo.

As vendas no varejo, por sua vez, recuaram 0,5% em março, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado pode contribuir para um IBC-BR de março mais fraco que o esperado. O indicador, medido pelo Banco Central e considerado uma prévia do PIB, será divulgado nesta sexta-feira e, de acordo com projeção da LCA Consultores, deve vir neutro.

Para o operador da Tov Corretora Luis Morato, os dados mistos dos Estados Unidos contribuíram mais do que os números internos para a queda do Ibovespa. “No entanto, isso não é preocupante, uma vez que o índice subiu 20% nos últimos dois meses”, afirmou.

À frente das perdas, os papéis da Oi (OIBR4) despencaram 8,04% após a operadora de telefonia apresentar queda de 13% no lucro líquido do primeiro trimestre. O resultado recebeu impactos do aumento de despesas financeiras e de pagamento de imposto de renda e contribuição social. Na outra ponta, as ações da Gerdau (GOAU4) subiram 1,63%.

Estados Unidos

Indicadores econômicos contraditórios levaram os investidores a desfazer posições e as bolsas operaram durante toda a sessão no vermelho. O número de pedidos de auxílio desemprego recuou para 297 mil na última semana – o menor nível em sete anos. No entanto, a produção industrial do país diminuiu 0,6% em abril após subir 0,9% em março. Apesar do dado fraco, a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor ficou em 0,3% em abril.

O mercado também digere os números da Europa. O PIB da zona do euro cresceu 0,2% no primeiro trimestre, abaixo da expectativa média do mercado, que apontava para alta de 0,4%.

Por volta das 17h45, os principais índices americanos caminhavam para fechamento em campo negativo. O Dow Jones caía 1,14%, o S&P apresentava retração de 0,94% e o Nasdaq tinha queda de 0,76%.

Dólar

No mercado de câmbio, o dólar avançou 0,57%, cotado a R$ 2,221 na venda. O cenário econômico mais fraco determinou a alta da divisa frente à maioria das moedas dos países emergentes.

“A aversão aos ativos de maior risco iniciou com a divulgação do PIB da zona do euro e de vários países do bloco, abaixo do esperado. Do lado americano, apesar da queda nos números de pedidos de auxílio desemprego, a piora na produção industrial e na confiança das construtoras prevaleceu”, disse o gerente de câmbio da Correparti, João Paulo de Gracia, em relatório.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia