Coface rebaixa nota do Brasil

Seguradora de crédito francesa disse que a situação macro elevou a inadimplência das empresas no ano passado

Por monica.lima

A presidente da Coface Brasil%2C Marcele Lemos%2C diz que o potencial do mercado de seguros de crédito no Brasil é de R$ 190 milhõesRodrigo Capote

São Paulo - A Coface, uma das maiores seguradoras globais especializadas em risco de crédito, rebaixou a nota atribuída ao Brasil. O rebaixamento de A3 para A4 foi divulgado na quinta-feira por Marcele Lemos, presidente da Coface Brasil, durante entrevista à imprensa, após a conferência anual de risco-país organizado pela empresa em São Paulo.

Foi a primeira mudança em sete anos. A escala da Coface vai de A a D, de 1 a 5 (quanto menor a letra e o número, melhor). Na América Latina, apenas Chile tem nota mais alta (A2). A nota do Brasil é igual agora à do México e Colômbia. A reavaliação é realizada trimestralmente pela Coface.

“Fatores macroeconômicos como a piora do superávit primário, do crescimento e da competitividade da indústria aumentaram a quantidade de pedidos de falência e recuperação judicial de empresas no ano passado, piorando a inadimplência”, disse Marcele. “Houve forte aumento da sinistralidade no mercado de seguro de crédito doméstico. A relação entre as receitas obtidas com os prêmios dos seguros vendidos e os sinistros pagos pela Coface chegou a 127% no ano passado. No seguro de crédito à exportação, o índice foi bem menor: 23%. A média é de 50%”, informou. Segundo Marcele, não houve nenhum setor especifico que sofreu mais. “Mas este ano vai ser melhor. Depois dessa alta no ano passado, fizemos uma revisão do nosso portfólio de empresas, identificando quais as mais problemáticas para diminuir a exposição dos nossos clientes a elas”, explicou. O seguro de crédito doméstico responde por 70% do faturamento da Coface no Brasil, que ficou em R$ 117 milhões em 2013. O potencial do mercado de seguros de crédito no Brasil é de R$ 190 milhões, diz.

“A empresa brasileira não é exportadora, o mercado doméstico é enorme. Só cinco mil empresas brasileiras exportam e mesmo essas tem apenas 10% do faturamento baseado em vendas externas. Na Europa tem empresas que vivem 80% de exportação”, lembra Joel Paillot, diretor mundial de riscos da Coface. “Quando o mercado doméstico desacelera, a empresa brasileira sofre imediatamente Não tem tempo de reduzir seus custos e não tem uma carteira importante de vendas externas. Por isso houve tantos sinistros no ano passado”, explica.

A apólice de seguro de crédito garante ao cliente o pagamento da venda a prazo, caso o comprador não honre o negócio no vencimento. “Quando segurado contrata leva no pacote o monitoramento do crédito”, diz Marcele Lemos. A Coface monitora a carteira de clientes do segurado durante um ano e realiza a cobrança, aqui e lá fora, em caso de atrasos. “Temos um banco de dados com mais de 50 milhões de cadastrados. Vamos reavaliando e revendo informações a cada trimestre. Se a Coface não consegue fazer a cobrança faz o ressarcimento ao segurado”, explica.

Mundialmente, o grupo faturou € 1,2 bilhão e lucrou € 120 milhões em 2013, segurando € 475 bilhões.

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