Dissenso no comitê de política do Fed pode trazer volatilidade

Para analistas, mercados ficarão sensíveis com novos dados da atividade econômica dos EUA

Por marta.valim

A decisão de política monetária dos Estados Unidos ficou em linha com a expectativa do mercado — o Comitê Federal de Política do Federal Reserve (Fomc) aprovou novo corte de US$ 10 bilhões no seu programa de estímulos do Federal Reserve (Fed) e manteve a taxa básica de juro de curto prazo inalterada entre zero e 0,25% — mas o voto contrário de um dos membros chamou a atenção de alguns analistas. A expectativa agora, segundo eles, é se o número de divergentes pode aumentar no próximo encontro em razão de novos dados da economia dos EUA sinalizando recuperação.

Para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, o dissenso entre os membros faz acender um alerta para o próximo encontro do Fomc. Para Latif, um aumento dos membros que avaliam que o juro está sendo mantido no atual patamar por muito tempo pode trazer alguma volatilidade para os negócios. Na sua opinião, mesmo sendo um sinal tímido de dissenso, o mercado pode ficar mais sensível, caso venha um resultado de atividade econômica mais positivo.

A economia dos EUA tem dado sinais de recuperação, reforçada com a alta do PIB divulgada ontem, mas ainda há dúvidas sobre a tendência de crescimento. À medida que novos dados confirmem a recuperação pode haver uma maior volatilidade nos mercados. No Brasil, o mercado cambial seria o mais afetado. “Esse é o ativo que poderia ser mais impactado pelo Fed”, avalia Zeina Latif, ressaltando, no entanto, que o Banco Central (BC) brasileiro tem se mantido atento à volatilidade cambial e atuado para evitar este movimento. “Uma volatilidade maior pode pressionar o câmbio e o impacto, por menor que seja, seria na inflação, que já está bem pressionada”, disse.

O economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, também concorda que pode haver certa volatilidade por aumento do dissenso, mas ele acredita que somente uma mudança de cenário drástica levaria à autoridade monetária dos EUA a mudar o rumo de suas decisões. “Difícil mudar a situação. O juro dos EUA ainda deve continuar neste patamar por muito tempo. Acredito que uma mudança só no final do primeiro semestre de 2015”, estima. Ele não acredita, no entanto, que o fluxo financeiro direcionado ao Brasil possa mudar, mesmo que os EUA alterem sua taxa no ano que vem. “A Selic a 11% é atrativa e vai continuar atraindo recursos”, avalia. O que pode mudar essa tendência, segundo ele, é a política econômica que o novo presidente irá adotar. “Essa política pode atrair ou afastar o fluxo direcionado ao País”, avalia.

Para o economista-chefe da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira, independente de haver ou não alta de juro nos EUA e de quando isso irá acontecer, o fluxo continua entrando no País. “Temos a maior taxa real do mundo. Vamos continuar recebendo dinheiro. Apesar das incertezas internas, o estrangeiro continua interessado em Brasil”, afirma.
O banco Fator ressaltou em relatório, que o “forward guidance se manteve inalterado e que decisão não afeta os preços dos ativos de modo relevante”.

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