Em meio aos resultados corporativos, tensões externas e dado fraco da economia, o Ibovespa amargou o pior pregão em dois meses ao terminar queda de 1,84%, aos 55.829 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,1 bilhões. Em julho, o principal índice da Bovespa acumulou alta de 5% e, no ano, o ganho é de 8,39%. A aversão ao risco prevaleceu nos mercados de todo o mundo, alimentada por dados fracos da Zona do Euro, calote parcial na Argentina e sanções à Rússia, que já refletem nas ações de algumas empresas.
Na agenda doméstica, o resultado primário do setor público em junho apresentou déficit de R$ 2,1 bilhões. De acordo com a Guide Investimentos, o valor dificulta ainda mais que a meta de superávit primário para este ano, de R$ 99 bilhões ou 1,9% do PIB, seja atingida. “Dependemos cada vez mais das chamadas receitas extraordinárias”, apontou a corretora, em nota.
À frente dos ganhos, Suzano PN subiu 3,29%. Vale PN, também se destacou entre as altas, com avanço de 1,02%. A mineradora reportou lucro líquido de R$ 3,19 bilhões no período, avanço de 283% na comparação anual.
Na outra ponta, Gafisa ON recuou 4,62%, seguida por Ambev ON, que caiu 4,45%. Embora o lucro líquido da companhia de bebidas tenha avançado 15,9% no segundo trimestre, para R$ 2,2 bilhões, houve uma redução na margem de rentabilidade. Petrobras PN, por sua vez, pressionou o Ibovespa ao retrair 3,78%.
Entre os bancos que divulgaram resultado, Bradesco PN perdeu 0,86% após apresentar lucro líquido de R$ 3,7 bilhões no segundo trimestre, alta de 28% em comparação com igual período de 2013. Santander PN recuou 4,63%. O maior banco estrangeiro do país teve lucro líquido de R$ 527 milhões no período, valor 5,3% superior ao alcançado no mesmo período do ano passado.
Nos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio desemprego subiu menos que o esperado na última semana. No entanto, a atividade industrial de Chicago caiu em julho para o menor patamar em um ano. O movimento vendedor prevaleceu na sessão, alimentado por indicadores fracos da Europa.
Além disso, as sanções à Rússia já refletem nos papéis de empresas da europeias. “As ações da Adidas caíram 15% depois que a empresa informou que vai apressar o fechamento de algumas unidades na Rússia. A Volkswagen reportou queda de 8% nas vendas por lá no primeiro semestre. O tom negativo também acontece nos EUA, com Visa e Mastercard”, apontou a Guide, em relatório.
O Dow Jones teve queda de 1,88%; o S&P recuou 2%, a maior queda diária desde abril ; o Nasdaq perdeu 2,09%.
Dólar
No mercado de câmbio, o dólar disparou 1,21%, cotado a R$ 2,267 na venda – o maior valor de fechamento em quase dois meses. Em julho, a moeda americana acumulou valorização de 2,71%.