Empresas gastam em média 5% das receitas com juros

Estudo do Instituto Assaf, indicador que em 2013 ficou em 4,70% e 2012 em 4,30%, pode ficar estável este ano

Por marta.valim

Levantamento feito pelo Instituto Assaf mostra que, nos últimos cinco anos, as empresas brasileiras de capital aberto gastaram, em média, 5% de suas receitas de vendas para pagamento de despesas financeiras. O indicador mede a relação entre as despesas financeiras líquida de Imposto de Renda sobre a Receita de vendas das empresas abertas nos anos de 2009 e 2013, calculado com base nas informações fornecidas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O indicador Despesas Financeiras (Líq. IR)/Vendas mede a relação entre as despesas das empresas com juros líquidas do benefício fiscal e a parcela das receitas de vendas destinada a cobrir os encargos financeiros de competência de cada exercício social.<CW20>
Segundo levantamento do Instituto Assaf, as companhias listadas na BM&FBovespa, com exceção de bancos e financeiras, gastaram 4,70% de suas receitas de vendas com pagamentos de despesas financeiras. Em 2012, esse percentual ficou em 4,30% e este ano deve ficar estabilizado no mesmo patamar do ano anterior.

De acordo com o Instituto Assaf, as despesas financeiras das empresas de capital aberto aumentaram no ano passado em função das taxas de juros e do volume de crédito contratado. Segundo Fabiano Guasti Lima, professor pesquisador do Instituto Assaf, o indicador de 2014 ainda é uma incógnita porque, por um lado, as empresas podem necessitar de recursos em razão da retração econômica, já que estão produzindo e vendendo menos. Mas por outro, as companhias podem adiar investimentos, o que levaria a uma redução dos gastos com despesas financeiras. “Esse é um ano complicado, não dá para saber o que vai acontecer. A princípio, a tendência é de estabilidade”, avalia.

O professor do Instituto Assaf destaca ainda a Copa do Mundo e a eleição presidencial como fatores que também impactaram os negócios este ano. No caso do evento esportivo, ele lembra que alguns setores foram beneficiados, enquanto para outros o reflexo foi negativo. “Todo ano de eleição é um ano difícil, ainda temos recessão técnica, juro e inflação em alta. A empresa vê este cenário e recua no sentido de fazer investimentos. São muitas incertezas”, pondera.

Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica (IBGE) divulgou queda de 0,6 no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, ante os três primeiros meses do ano, na série com ajuste sazonal. O Instituto também revisou o desempenho de janeiro a março, que também apresentou recuo, de 0,2%. Isso explica a pouca disposição das empresas em investir na ampliação dos seus negócios. A taxa de investimento no País como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) de abril a junho ficou em 16,5%, o pior resultado para esse período desde 2006, quando ficou em 16,4%.

Apesar da Selic média ter caído no ano passado, a taxa de juro cobrada nos empréstimos subiu, o que explica, em parte, o avanço do comprometimento das empresas de 2012 para 2013. Segundo dados do Banco Central, em janeiro de 2013 o volume de crédito via recursos livres destinado à pessoa jurídica estava em R$ 690,7 bilhões e passou para R$ 763,3 bilhões em dezembro.

Este ano, o segmento apresenta queda de 18% de janeiro a julho. No entanto, os recursos direcionados — BNDES, crédito rural e setor imobiliário —, cresceram 6,7%, passando de R$ 700,9 bilhões em dezembro de 2013 para R$ 747,9 bilhões em julho deste ano. O que mostra que as empresas estão procurando recursos mais baratos para investimentos e também para o pagamento de dívidas. “As empresas têm buscado pegar dinheiro que tenha juro subsidiado, como o do BNDES, e usa a dívida mais barata para honrar suas necessidades”, explica.

O levantamento mostra ainda que os setores que mais apresentaram comprometimento das receitas com o pagamento de despesas financeiras no ano passado foram papel e celulose (19,50%), ferrovia (19%) e mineração (16,10%). Na ponta contrária, estão os segmentos de máquina e construção civil (5,10% cada um) e indústria de materiais diversos (5,20%). “Cada setor teve um evento pontual que explica esse comportamento. O aumento do endividamento e a queda do faturamento são alguns”, explica.

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