Por parroyo

A palavra de ordem no mercado financeiro é cautela. Enquanto a presidente Dilma Rousseff não anunciar o nome que irá comandar o ministério da Fazenda no seu segundo governo, os investidores vão continuar adiando as decisões, e a tendência observada nas últimas sessões – queda da bolsa e alta do dólar - tende a se estender. Após quatro recuos em cinco pregões, o Ibovespa acumula perdas de 2,72% na semana. No mesmo período, a moeda norte-americana disparou 1,46% e atingiu a maior cotação em nove anos, R$ 2,60.

“Essa indefinição mexe com o investidor. Quanto mais a Dilma demorar para apresentar o novo ministro da Fazenda, mais negativo será o comportamento do mercado. É muito difícil a tomada de decisão neste cenário, principalmente por conta do alto risco da perda do grau de investimento do país”, afirmou o analista da corretora Clear, Fernando Góes. Na avaliação do estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, a presidenta deve adiar a decisão por mais uma semana. “Ela ainda não tem um nome definido”, acredita.

O Ibovespa terminou a sexta-feira em queda de 0,14%, aos 51.772 pontos, impactado pelos papéis da Petrobras, que recuaram 2,94% em reação ao adiamento da divulgação do balanço e à nova fase da operação Lava Jato, que prendeu o ex-diretor de Serviços da estatal, Renato Duque, além de integrantes do alto escalão de empreiteiras suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção.

“Embora a tendência vendedora predomine, o Ibovespa defendeu o importante suporte dos 51 mil pontos, o que abre espaço para a busca do objetivo dos 54 mil pontos. Mas caso esse suporte seja perdido, pode cair para os 49 mil pontos, patamar que estava um dia depois do resultado da eleição”, apontou Góes.

A temporada de balanço acabou nesta sexta-feira e o analista da Clear avalia que os resultados vieram em linha com as expectativas. “O setor financeiro foi o grande destaque positivo e, na contramão, os números da Vale decepcionaram”, disse. Os cinco maiores bancos do país tiveram alta de 21% no lucro líquido em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Já a Vale amargou prejuízo de R$ 3,38 bilhões, como reflexo das perdas monetárias devido à desvalorização do real em relação ao dólar. A Petrobras não respeitou o calendário oficial de divulgações e deve apresentar o balanço revisado somente no dia 12 de dezembro.

Agenda

No Brasil, a semana começa com o vencimento de opções sobre ações, que geralmente traz volatilidade para os negócios. Ainda na segunda-feira, será conhecido o IBC-BR, índice auferido pelo Banco Central considerado uma prévia do PIB. “O indicador deve apresentar ligeiro avanço no mês de setembro, em linha com a alta do varejo ampliado, o que deve ajudar a neutralizar a queda da produção industrial”, afirmou Rostagno. De acordo com estimativa média do mercado, medida pela Bloomberg, o número deve subir 0,10% na comparação mensal.

Entre os indicadores externos nos Estados Unidos, é destaque a produção industrial de setembro na segunda-feira. Já na quarta-feira, saem dados do setor imobiliário – pedidos de hipotecas e novas construções – referentes ao mês de outubro. Na China, o Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) de novembro será divulgado na quarta-feira à noite. Como na quinta-feira não haverá pregão no Brasil por conta do feriado que comemora o dia da Consciência Negra, o impacto no nosso mercado será reduzido.


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