Por parroyo

A décima carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), divulgada nesta quarta-feira pela BM&FBovespa e que passa a vigorar a partir de janeiro de 2015, conta pela primeira vez com a participação de empresas de varejo. Entre os quatro nomes incorporados à lista, figuram B2W Digital, Lojas Americanas e Lojas Renner. A JSL, focada em logística e serviços, é a quarta novata do Índice, que reúne 40 companhias de 19 diferentes setores, cuja soma do valor de mercado resulta em R$ 1,22 trilhão.

A entrada do setor de comércio na carteira atesta que o movimento de sustentabilidade ganha maturidade, de acordo com a presidente do Conselho Deliberativo do ISE, Sonia Favoretto. “Um dos fatores positivos é a aproximação com a pessoa física. Um número significativo de consumidores circula diariamente nas Lojas Americanas e na Renner, o que expressa um potencial de ganho de escala do conhecimento sobre o Índice”, disse.

Outro fator positivo destacado por Sonia é o possível aumento de alcance da cadeia de valor da sustentabilidade, uma vez que as companhias de varejo devem se esforçar para permanecer no índice e, portanto, a tendência é que levem cada vez mais em conta fatores sustentáveis no momento da escolha dos fornecedores. No último ano, o foco de sensibilização durante o processo de seleção nos departamentos de compra das companhias participantes do ISE aumentou de 45% para 55%.

O avanço na governança das empresas, balizado pelo questionário que chancela a entrada no ISE, é um dos objetivos que está sendo concretizado gradativamente durante os últimos dez anos. Na contramão, o desafio permanente a ser enfrentado é o engajamento dos executivos de alta liderança com a sustentabilidade. "As empresas precisam promover novas práticas que visam buscar elementos além do lucro econômico. Isso é um processo que não acontece da noite para o dia”, ponderou Sonia.

Em relação à rentabilidade, no acumulado de 2014 (até o dia 25 de novembro) o ISE valorizou 4,56%, percentual inferior ao Ibovespa, que teve ganhos de 7,57% no mesmo período. Entretanto, em 2014, a volatilidade do índice foi 25% menor que a do Ibovespa, o que diminui sua dimensão de risco.

“O investidor será contemplado como um dos principais desafios estratégicos até 2020, para que o Índice seja cada vez mais valorizado nas decisões de investimentos”, pontuou Sonia. De acordo com dados de outubro deste ano da Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 31 fundos operam na categoria de “Sustentabilidade e Governança”.

Para fazer parte da carteira, as empresas têm de estar listadas na Bovespa e os papéis devem figurar entre os 200 ativos mais líquidos da Bolsa. O processo de seleção é feito por meio de um questionário. Das 40 companhias escolhidas para participar do ISE, 34 autorizaram a abertura das respostas ao público. “Um dos papéis do Índice é promover o debate para que as empresas não tenham problema em promover seus desafios. A transparência é coerente com esse processo”, afirmou o coordenador executivo do ISE, Aron Belinky.

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