Por parroyo
O Ibovespa fechou a segunda-feira no vermelho, abaixo dos 48 mil pontos, diante do quadro externo negativo, refletindo nova queda dos preços do petróleo, com o barril nos Estados Unidos abaixo de US$ 50 e temores com a Grécia na Europa.
O discurso do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, à tarde não trouxe novidades concretas em termos de medidas para a economia, embora ele tenha apresentado a sua nova equipe. No fechamento, o principal índice da bolsa paulista acusou queda de 2,05%, a 47.482 pontos, perto da mínima de 47.263 pontos. O giro financeiro somou R$ 6,4 bilhões.
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O viés negativo foi guiado pelo tombo de 8% dos papéis da Petrobras, no centro de um escândalo de corrupção. As ações, que perderam quase metade do peso no Ibovespa na nova composição da carteira, encontraram na baixa do petróleo pressão vendedora adicional.
Em nota a clientes, o UBS disse que o sentimento negativo com a companhia continua e citou a divulgação do resultado do terceiro trimestre previsto para este mês e a crença na mudança de membros da diretoria (fora da alta cúpula) da empresa como potenciais catalisadores no curto prazo.
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A queda de ações do setor de energia e receios com o futuro da Grécia na zona do euro derrubaram bolsas na Europa, respingando em Wall Street, onde papéis ligados a commodities também minavam os negócios. O S&P 500 caía 1,7%.
Em Brasília, Levy afirmou no primeiro discurso no comando da Fazenda que o cumprimento das metas fiscais nos próximos anos será fundamento do novo ciclo de crescimento e que o Brasil tem condições de ter equilíbrio nas contas públicas sem redução de benefícios sociais.
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Segundo o chefe da mesa de renda variável de uma corretora em São Paulo, que pediu para não ter o nome citado, Levy disse as coisas certas, mas o tom do discurso foi burocrático, o que significou um não-evento. O mercado que havia recuperado um pouco antes, devolveu.
Investidores aguardam reticentes mais detalhes sobre um amplamente esperado pacote de ajuste das contas públicas e medidas que apontem um cenário melhor para o crescimento econômico e o controle da inflação no país.
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"Com o cenário macroeconômico ainda desafiador, e sem muita visibilidade com relação às medidas que o governo vai tomar - e qual a direção vai seguir, nossa cabeça não mudou muito e seguimos cautelosos com Brasil", disse o BTG Pactual em nota a clientes, acompanhando a estratégia de ações para janeiro.
A gigante de bebidas Ambev terminou em baixa de 2,06%. O setor de educação seguiu pesando, embora longe das mínimas da abertura, ainda reagindo a mudanças nas regras de programas voltados ao financiamento do ensino superior. No índice, Estácio recuou 5,7% e Kroton declinou 6,35%.
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As preferenciais da operadora Oi ficaram entre as maiores quedas, em baixa de 6,76%. A empresa projetou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de rotina das operações no Brasil em 2015 de R$ 7 bilhões a R$ 7,4 bilhões.
Dólar
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O dólar fechou em alta ante o real nesta segunda-feira, impulsionado pela persistente queda dos preços do petróleo e por preocupações com a Grécia, além de dúvidas sobre a recuperação da credibilidade da política fiscal brasileira.
Agentes financeiros também adotaram postura cautelosa antes da divulgação, na quarta-feira, da ata da última reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano. A redução das intervenções diárias do Banco Central brasileiro contribuiu para a pressão sobre o câmbio.
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A moeda norte-americana subiu 0,6%, a R$ 2,708 na venda. "Só mudou o calendário. Todos os problemas que o mercado via no ano passado continuam pesando neste começo de ano", resumiu o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.
No exterior, o dólar avançou ante as principais moedas após os preços do petróleo atingirem o menor nível dos últimos cinco anos e meio. A divisa norte-americana atingiu o maior patamar contra o euro em nove anos, impulsionada também por expectativas de estímulos na zona do euro e por incertezas sobre a situação da Grécia no bloco monetário.
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A perspectiva de que o Fed eleve os juros em breve tem pressionado os mercados cambiais, uma vez que o aperto monetário pode atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em outros países, como o Brasil. Investidores buscarão mais pistas sobre as intenções do banco central dos EUA na ata de sua última reunião, quando prometeu ser "paciente" para elevar os juros.
Internamente, o mau humor foi reduzido pela indicação da equipe do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O anúncio agradou investidores e tirou o dólar das máximas da sessão, mas agentes financeiros continuaram demonstrando dúvidas sobre a capacidade de o governo cumprir a meta de superávit primário deste ano, equivalente a 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
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"Ter uma boa equipe é um começo de conversa. O mercado está esperando mais medidas concretas", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.
A redução da intervenção diária do Banco Central no câmbio continuou atraindo a atenção dos mercados. "Quando o BC corta pela metade a oferta de swaps (cambiais), sanciona o nível de 2,70 reais", disse o operador de um importante banco nacional, acrescentando que o governo tem um caminho "árduo" pela frente no front fiscal.
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