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Ibovespa fecha em leve queda na esteira dos Estados Unidos

Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reforça perspectiva de maior austeridade fiscal e agrada ao mercado. Dólar cai, cotado a R$ 2,62

Por parroyo

O principal índice da bolsa paulista devolveu ganhos de mais cedo e fechou com leve variação negativa nesta terça-feira, na mínima do dia, acompanhando o enfraquecimento dos negócios em Wall Street.

O Ibovespa fechou em queda de 0,2%, aos 48.041 pontos, após ter subido 1,66%  mais cedo e se aproximado dos 49 mil pontos na máxima do dia. Foi a terceira queda consecutiva do índice. O volume financeiro da sessão atingiu R$ 6,7 bilhões.

As bolsas norte-americanas passaram ao terreno negativo na tarde desta terça-feira, pressionadas pela queda dos setores de matérias-primas e de energia e arrastando o Ibovespa no fim do pregão.

Declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, repercutiram bem no mercado brasileiro desde cedo, levando a bolsa a operar no terreno positivo durante quase todo o dia. Os papéis da Petrobras foram particularmente beneficiados com as declarações de Levy, que disse acreditar que a empresa definirá os preços dos combustíveis com base em motivos corporativos.

Na máxima, pela manhã, as preferenciais da estatal chegaram a subir 5,4%, mesmo com forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional. Os papéis acabaram fechando em alta de 1%.

Na véspera, a estatal divulgou dados de produção de dezembro, considerados positivos pelo BTG Pactual, embora o banco avalie que o foco em relação à empresa deve seguir no preço do petróleo e potenciais cortes de investimentos.

A sessão também foi marcada pela expectativa da reunião do Conselho de Administração da estatal, que deve eleger nesta terça-feira o diretor de Governança, Risco e Conformidade. A Petrobras confirmou que não está prevista no encontro a discussão balanço, conforme antecipou a Reuters.

A companhia de educação Kroton registrou a maior alta percentual do índice, com valorização superior a 6 por cento, reagindo a uma abertura negativa e depois das fortes perdas da véspera. A queda no dia anterior foi motivada pela suspensão da reunião do setor de educação com o governo federal para discutir as recentes mudanças no programa de financiamento do ensino superior (Fies). As ações da rival Estácio subiram 1,46%.

"Está muito difícil de precificar e de reduzir o risco setorial que se elevou com as mudanças nas regras do Fies", disse o gestor Eduardo Roche, da Canepa Asset Management.

"A alta de hoje não significa que a tendência de queda passou. Mas se as empresas conseguirem reverter algumas medidas nesta reunião prevista com o governo, parte do mau humor com o setor neste momento pode se dissipar", avalia.

Dados do comércio exterior chinês mostrando que as importações de minério de ferro bateram um novo recorde em 2014, com dezembro tendo alta de quase 30%  ante novembro, também deram suporte aos papéis da blue chip Vale, apesar de nova queda nos preços da commodity.

O setor elétrico também esteve em evidência, após o governo federal confirmar que negociará empréstimo de R$ 2,5 bilhões com os bancos para ajudar distribuidoras, enquanto a Aneel disse ser inevitável revisão extraordinária de tarifas. O índice do setor subiu 0,88%. 

Dólar

O dólar fechou em queda de mais de 1% ante o real nesta terça-feira, com investidores recebendo bem as declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reforçando a perspectiva de maior austeridade na política fiscal neste ano.

A moeda norte-americana caiu 1,17%, a R$ 2,6369 na venda, após chegar a R$ 2,627  na mínima da sessão. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,7 bilhão.

"Aparentemente, o governo está mirando em um 'upgrade' do rating (do país). Isso é favorável para o real, porque atrai mais capital para o mercado", disse o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.

Levy afirmou que trazer a dívida pública para a faixa de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) seria um objetivo positivo no longo prazo e que o Brasil tem condições de melhorar sua classificação de risco.

As declarações da nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff, que vem prometendo uma política fiscal mais austera, têm agradado os investidores. Mas o mercado ainda mostrava dúvidas sobre a capacidade do governo de cumprir as metas de superávit primário, consideradas difíceis.

Para este ano, o objetivo equivale a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e, para os dois anos seguintes, a 2%.

"A cada declaração mais ortodoxa que o Levy dá, parece que o mercado caminha mais na direção de acreditar que a economia pode melhorar nos próximos anos", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.

No mercado externo, a expectativa de estímulos do Banco Central Europeu manteve o dólar em alta em relação ao euro.


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