Ibovespa cai 0,14% após dia volátil, com Petrobras no radar

Ação da estatal recua mais de 2%, com os investidores à espera do anúncio dos novos membros da diretoria

Por parroyo

Nos ajustes finais do pregão, a Bovespa virou para o território negativo, encerrando a sequência de alta da semana, com investidores na expectativa sobre quem comandará a Petrobras após a renúncia na véspera de praticamente toda a diretoria da estatal, incluindo a presidente-executiva.

O Ibovespa caiu 0,14%, aos 49.233 pontos. Na máxima, chegou a 49.816 pontos, em alta de 1% e, no pior momento do dia, caiu 0,57%, aos 49.019 pontos. O volume financeiro da sessão somou R$ 7,1 bilhões.

Em um curto comunicado na véspera, a Petrobras disse que novos executivos serão eleitos na sexta-feira em reunião do Conselho de Administração.

O BTG Pactual disse em nota a clientes que o analista da casa Gustavo Gattass considera que a chance de ver algum "nome de peso" sendo confirmado na sexta não é tão alta assim.

Para Gattass, "na melhor das hipóteses", o novo presidente será alguém menos conhecido pelo mercado, mas com capacidade técnica de entregar uma boa execução e estratégia, e com isso ganhar confiança ao longo do tempo. A equipe do BTG escreveu que aproveitaria um rali das ações para realizar lucros.

As preferenciais da Petrobras caíram mais de 3% nos primeiros negócios, recuperaram o fôlego ao longo do pregão, chegando a subir 2,69 por cento na máxima, mas terminaram o dia em queda de 2,2%, a R$ 9,80. As ações ordinárias fecharam em baixa de 2,42%.

Após alta significativa na véspera, os bancos Itaú Unibanco e Bradesco também pressionaram negativamente em razão da forte participação na composição do índice. Banco do Brasil, por sua vez, deu continuidade aos ganhos e subiu 2,2%, chegando a limitar em parte do dia o efeito nocivo de seus pares privados.

A administradora de planos de saúde Qualicorp chegou a cair 10,71% após a Folha de S.Paulo noticiar que o Ministério da Saúde anunciará um pacote de medidas para mudar o modelo de atendimento e reorganizar o setor de planos de saúde. O papel, contudo, reduziu a queda ao fim do pregão, para 4,73%, em meio a esclarecimentos do Ministério da Saúde sobre as informações.

A fabricante de bebidas Ambev, que também tem peso importante no índice, subiu 1,56% e ajudou manter o Ibovespa próximo da estabilidade.

Quem chamou a atenção na ponta positiva foi a transportadora ferroviária América Latina Logística (ALL), que disparou 21,43%  em meio a expectativas sobre o julgamento da fusão com a Rumo Logística, do grupo Cosan, que entrou na pauta do tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do próximo dia 11. Cosan Log, que não faz parte do Ibovespa, saltou 27,96%.

A empresa de educação Estácio voltou a subir, por compras para cobertura de posições de agentes que alugaram o papel para vender e avaliações de que a ação pode já embutir no preço as mudanças do Fies, programa de financiamento educacional. No ano, o papel ainda acumula queda de mais de 20%.

A empresa de insumos para a construção civil e marcenaria Duratex subiu 1,29%, após divulgação de resultado trimestral e programa de recompra de ações. A corretora Brasil Plural destacou que a geração de caixa medida pelo Ebitda ficou acima das suas expectativas.

A Gol caiu 1,34%. A companhia aérea divulgou mais cedo receita por passageiro menor no quarto trimestre de 2014 contra um ano antes, com a redução do indicador que mede os preços de passagens aéreas (yield).

Dólar

O dólar fechou em queda de 0,02%, cotado a R$ 2,741, sustentando-se perto das máximas em quase uma década diante de apreensão sobre a possibilidade de a Grécia deixar a zona do euro e a sucessão na Petrobras, mas operações de ajustes de portfólio após a expressiva alta das últimas sessões limitaram os ganhos.

"É difícil encontrar espaço para cair num contexto de tantas incertezas, e vimos muita gente aproveitando as altas (do dólar) para vender", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho, ressaltando que o mercado está "estressado".

O premiê grego, Alexis Tsipras, prometeu nesta quinta-feira "colocar um fim de uma vez por todas" às política de austeridade impostas pela União Europeia e negociar de forma dura em favor de um novo acordo para a Grécia.

As declarações intensificaram as preocupações com o futuro do país na zona do euro, após o Banco Central Europeu (BCE) abruptamente deixar de aceitar na noite passada títulos gregos como garantias de empréstimos.

"O tom do discurso do premiê da Grécia é extremamente duro. Parece que os esforços de negociação não estão rendendo resultados", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

No Brasil, incertezas sobre a sucessão na diretoria da Petrobras, envolvida em esquema de corrupção bilionário, também deixaram investidores cautelosos. Na quarta-feira, a presidente-executiva da empresa, Maria das Graças Foster, e mais cinco diretores renunciaram aos cargos.

Analistas acreditam que, mesmo com uma nova diretoria, a situação financeira da estatal não melhorará rapidamente.

"O estresse é compreensível, temos notícias desfavoráveis tanto aqui quanto lá fora", disse o operador de uma corretora internacional. "Como, até agora, o Banco Central não deu sinais de que pode atuar mais no câmbio, o mercado se sente à vontade para colocar o câmbio em patamares que acha mais apropriado."


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