Com ajuste, Bolsa pode subir até 70%

Para gestor, Bolsa tem todas as condições necessárias para oferecer mais liquidez e mais abertura de capitais, mas isso só deve ocorrer após sinais de que a economia retomou o trilho do crescimento

Por diana.dantas

A economia brasileira precisa de um choque de ajustes, que vai doer agora, mas vai garantir um crescimento mais forte a partir de 2016. O investidor que está saindo do Brasil ou retirando investimentos neste momento pode perder a retomada do crescimento quando resolver voltar. A afirmação foi feita na semana passada pelo sócio da gestora norte-americana NCH Capital, James Gulbrandsen, quando participava de uma conferência para investidores estrangeiros que investem em América Latina.

Para o executivo, os próximos meses ainda serão de volatilidade altíssima, mas quando os ajustes começarem a surtir efeito e o PIB voltar a crescer, a Bolsa de Valores terá potencial para crescer de 50% a 70% nos próximos 12 a 15 meses.

“O estrangeiro que saiu do país achando que este é um novo caso de Argentina está totalmente errado e vai perder os melhores momentos de ganho. Eu estou comprando real, estou comprando equity e vendendo tudo que posso nos Estados Unidos para trazer mais dinheiro para cá”, afirma.

Para o executivo, o avanço da Bolsa será puxado, provavelmente, por Petrobras. “Agora, eu estou comprando a Petrobras? Não, de jeito nenhum. A estatal precisa definir os problemas e fornecer os planos de recuperação. Das cinzas irá surgir a Fênix, ou seja, a Petrobras e, isso pode começar a acontecer a partir da divulgação do balanço do terceiro e quarto trimestres de 2014”, diz, acrescentando ainda que está confiante de que a estatal irá entregar os dados dentro do prazo previsto. “Junto com o plano de reinvestimento anunciado recentemente, esses são os primeiros passos da recuperação da Petrobras”, estima.

Embora a Bolsa brasileira ainda seja pequena quando comparada a seus pares internacionais, Gulbrandsen avalia que ela tem todas as condições necessárias para oferecer mais liquidez e mais abertura de capitais, mas isso só deve ocorrer após sinais de que a economia retomou o trilho do crescimento. O executivo explica que a indústria de private equity vem, ao longo dos últimos 10 anos, preparando empresas que poderão vir a mercado no momento oportuno. “A Azul é uma companhia fantástica e só não abriu a capital recentemente por causa das condições de mercado. Agora, se as condições melhorarem em 2016 a Azul deve ser a primeira a ir a mercado e depois deve vir dezenas de outras empresas também”, estima, acrescentando ainda que as principais companhia a abrir capital virão de carteiras de private equity.

Para Gulbrandsen, o investidor estrangeiro está equivocado ao achar que o Brasil poderá virar uma Argentina ou uma Venezuela. “Eu acho isso totalmente absurdo. O Brasil não vai virar uma Argentina, nem uma Venezuela, nos próximos 10 anos. Esses dois países têm economias muito concentradas em poucas coisas, enquanto o Brasil é um país super diversificado, a sexta maior economia do mundo e com mais de 200 milhões de pessoas, é muito difícil isso acontecer”, afirma.

O executivo afirma que está animado com o esforço que o governo está fazendo para arrumar a casa através do ajuste fiscal. De acordo com ele, o Brasil vai passar por um momento desafiador este ano, mas o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está no caminho certo. Ele ressalta, no entanto, que a única preocupação é se algo atrapalhar o trabalho que está sendo feito. “Qualquer coisa que faça com que o trabalho do Levy seja mais desafiador do que já está sendo é um fator negativo. Uma briga política, por exemplo, pode atrapalhar muito o processo de ajuste que está sendo implementado”, diz.

Para Gulbrandsen, o governo está no caminho certo, embora os efeitos possam “machucar” neste ano. É o caso, por exemplo, de algumas companhias que tiveram a tributação elevada de 2% para 4,5%. “Isso machuca as empresas, mas foi à decisão certa. Os subsídios das companhias, como a Ambev, não fazem sentido”, diz, acrescentando ainda que a empresa do setor de bebidas não precisa de subsídio fiscal e nem monetário. “Esse processo de ajustar a tributação e reavaliar os subsídios de alguns setores é muito válido. A decisão foi certa”, afirma.

O executivo disse que durante a conferência em Miami muito se falou sobre o Brasil e o humor dos investidores “não poderia ser pior”. No entanto, ele avalia que existe um desconhecimento enorme sobre o País. “Se o Levy continuar fazendo os ajustes necessários, o Brasil tem capacidade enorme de crescimento a partir de 2016. A gente pode crescer mais de 5% mas, para isso, temos que tomar o remédio agora, senão a gente vai continuar com inflação alta e até recessão e, todo mundo vai sofrer”, diz.

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