Dólar cai 0,82% e interrompe série de altas, cotado a R$ 3,10

Na contramão do mercado interno, o dólar se fortaleceu no exterior refletindo expectativas de que os juros norte-americanos comecem a subir em breve

Por parroyo

O dólar fechou em queda nesta terça-feira, interrompendo a série de seis altas consecutivas, devido a operações de ajustes de portfólio, mas continuou oscilando perto das máximas em quase 11 anos em meio a preocupações com a política monetária dos Estados Unidos e a situação política e econômica do Brasil.

A moeda norte-americana caiu 0,82%, cotado a R$ 3,104 na venda, após subir mais de 1% na máxima da sessão. O mercado vem se mantendo atento às dificuldades que o governo vem enfrentando para implementar medidas de reequilíbrio das contas públicas, o que ganhou novo ar de incerteza no fim de semana após as manifestações contrárias à presidente Dilma Rousseff.

"O dólar vem subindo com força e quem precisa vender não sabe se entra agora ou mais tarde. Por isso, é normal o câmbio dar alguns respiros, embora a tendência ainda seja definitivamente de alta", disse o operador da corretora Walpires José Carlos Amado.

Nesta sessão, o dólar se fortaleceu nos mercados externos, refletindo expectativas de que os juros norte-americanos comecem a subir em breve, o que poderia atrair para a maior economia do mundo recursos atualmente aplicados em outros mercados. A moeda dos EUA atingiu a máxima em doze anos contra o euro.

Para o economista da consultoria Tendências Silvio Campos Neto, "os investidores vão ficar muito cautelosos com ativos domésticos e preparados para assumir posições defensivas de olho em todos os sinais que saiam nos próximos dias".

Campos Neto avaliou que é muito difícil falar sobre um teto para a moeda norte-americana, "num momento como esse de muita incerteza e fatores locais e externos puxando para o mesmo lado".

Nesse cenário, há também incertezas sobre o futuro das intervenções diários do Banco Central no câmbio, marcadas para durar pelo menos até o fim de março.

"O que deixa o mercado confuso é que já deveria ter havido algum sinal do BC, seja com o aumento da rolagem, seja com leilões de linha", afirmou o operador de um importante banco nacional.


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