Rio - Os jardins verticais estão cada vez mais na moda. Além de bonitos, eles têm soluções ambientais, como a melhora da qualidade do ar, o racionamento da água, a economia no uso do ar-condicionado, a redução da temperatura em áreas fechadas e redução da poluição sonora e do ar. Isso sem falar que podem ser construídos também em pequenos espaços. Basta usar a criatividade.
Entre os modelos para construção, há blocos cerâmicos que possibilitam construir um sistema de irrigação, escondido atrás das plantas. A GreenWall, por exemplo, produz os módulos cerâmicos para criação dos murais verdes e tem como diferencial o formato e a composição cerâmica das peças. O produto impermeabilizado permite a criação de bolsões de ar, evita a umidade e a proliferação de microrganismos no painel vertical.
Segundo a paisagista e colaboradora da GreenWall, Juliana Freitas, o primeiro passo é avaliar a estrutura da parede que vai receber um jardim vertical, se é de drywall ou alvenaria. As formas de aplicação e o próprio peso do modelo precisam ser estudados. A escolha do melhor sistema é o ponto de partida.
A instalação parece simples, mas não é tanto assim. Por isso, peça ajuda a um profissional. Se você puder contratar um paisagista para auxiliar no projeto e em todas essas decisões, é mais garantido que não tenha retrabalhos ou perda do seu investimento. E, claro, contrate empresas de execução especializadas, que já tenham histórico e currículo no mercado de jardins verticais. Com o modismo e o crescimento do mercado, algumas empresas se especializaram e podem oferecer garantias com qualidade. Mas as orientações não param por aí.
Avaliação do clima
A insolação precisa ser avaliada. Isso quer dizer as condições do local, para entender primeiro se será possível ter um jardim vertical que se manterá saudável. “Existem situações de sombra muito extrema, que pedem essa decisão com mais cautela. Nessa fase, também é bom avaliar todo o clima. Se estamos falando de uma área externa, quanto temos de sol batendo na parede? Quantas horas por dia? Temos ventos fortes que podem influenciar à saúde das plantas? É coberto ou não, ou seja, vai chover ou está protegido da chuva?”, explica Juliana Freitas.
Outro quesito importante é a água. “Não acredito em jardins verticais que não usam sistema de irrigação automático. Para nós, isso é uma premissa para garantir que o jardim vai dar certo. Não temos tempo e não conseguimos controlar com eficácia a quantidade de água quando regamos com a mangueira. Além disso, a água da mangueira costuma molhar muito as folhas, mas nem sempre penetram e molham o solo. Com o sistema automático podemos controlar a quantidade, o tempo, molhar a terra e as folhas”.
Cuidado com a manutenção
O substrato é um dos principais itens para garantir que o jardim vertical seja perene, além de não exigir muita troca de plantas e necessite de baixa manutenção. Isso porque os nutrientes do substrato são o alimento das espécies e garantem a sua sobrevivência. É importante lembrar de repor esses nutrientes. Essa reposição depende do tipo de substrato e sua composição. Mas em média acontece a cada três meses. Pode ser feita incorporando no solo ou através de fertirrigação, a adubação feita com a rega da adição de fertilizantes líquidos na água.
No caso das espécies, que vai compor o jardim, será preciso avaliar o clima na sua parede. “Algumas perguntas: Como bate sol? Quanto tempo? Faz calor, tem sombra, tem sombra de vizinhos ou da própria edificação? Tem corredores de vento? Também é importante verificar a umidade da região. Tem animais de estimação? Crianças frequentando o local? Essas, entre outras questões, precisam ser avaliadas na escolha das plantas”, ressalta a paisagista Juliana Freitas.
Já a manutenção é de responsabilidade do proprietário. “Não é porque está na parede e com sistema de irrigação automática que você pode esquecer seu jardim e achar que ele vai ‘andar’ sozinho”, alerta.
Colocando a mão na massa
1- O primeiro passo é escolher o ambiente do jardim.
2- Identificar os tipos de plantas. O ambiente inadequado prejudica o desenvolvimento delas. Para espaços fechados e sem iluminação, escolha zamioculca, pacová e antúrios, que dão flores. Em ambientes fechados com iluminação artificial, opte por maranta e rafis. Para ambientes abertos com luz do sol pela manhã, o ideal são as samambaia, orquídea, bromélia e peperômia. Locais abertos com luz do sol o dia todo pedem plantas como azaleia, icsória e camarão amarelo.
3- Verifique o tamanho atual da planta e a tendência de crescimento. Dependendo da espécie, um vaso não vai suportar e a raiz da planta pode não crescer de forma correta.
4- Existem tipos de vasos, como cilíndricos, cônicos, polietileno, cimento, barro e os meia lua, que já vêm com suporte para prender na parede, o que facilita na decoração.
5- Jardineiras e jardim vertical são boas escolhas para espaços pequenos. Assim como as treliças de madeira, que podem ser adaptadas a espaços como banheiros e halls.
6- Em locais pequenos, é possível construir horta. Os temperos são os mais escolhidos para ambientes com pouca luminosidade, já que as hortaliças dependem de um período maior de exposição ao sol. Em contrapartida, não é recomendado plantar frutas, pois as plantas com frutos são de pleno de sol e precisam de espaço maior.
7- Caso tenha animais ou crianças na casa, é bom evitar plantas com espinhos, como roseiras e venenosas, como comigo-ninguém-pode.
8- Depois de pronto, use adubos químicos a cada 45 dias. Também observe a umidade, remova as folhas murchas e amareladas. O cuidado com a irrigação e com o controle de possíveis pragas são fundamentais.