Projeto baseado em quilombo de Magé será apresentado por aluna na BahiaDivulgação

Magé - Contemplada para apresentação do projeto de Mestrado no V Congresso Internacional de Cultura, Linguagens e Tecnologias do Recôncavo Baiano, realizado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Santo Amaro, com o trabalho intitulado “Educações Negras como tecnologias de Existência: saberes Africanos e Afrodiaspóricos no campo educacional”, Nara Campos vai apresentar uma perspectiva que nasce do chão do quilombo, do terreiro e da vivência comunitária.
Ela é filha de Pai Paulo de Ogun, do Ilé À Ògún Àlákòró - Quilombo de Bongaba, em Magé. Intitulada de  Abyan de Osun, ela constrói e fortalece sua caminhada no vínculo com seu território espiritual e comunitário. Esta é base que orienta sua prática educativa.
"Ser filha de Pai Paulo de Ogun é além de formação espiritual, um lugar de formação acadêmica. É no Ilê que aprendo sobre responsabilidade coletiva, sobre o tempo da escuta, sobre o cuidado com o outro e com o conhecimento. Ogun, enquanto princípio de abertura de caminhos e tecnologia ancestral, atravessa minha trajetória também no campo educacional, onde atuo tensionando estruturas e propondo o resgate dos modos de pensar a educação", resume.
A pesquisa dela compreende as educações negras como sistemas de produção de conhecimento, organizados por valores civilizatórios africanos e afrodiaspóricos, que historicamente sustentam modos de vida, resistência e continuidade. A apresentação é a materialização de um caminho coletivo, onde terreiro, quilombo e universidade se encontram com suas tecnologias ancestrais que seguem abrindo caminhos para nossas formas de educar.