Centenário Berta RibeiroFoto: Paulo Ávila

Maricá - Outubro é um mês especial para a antropologia brasileira e para o Museu Casa Darcy Ribeiro, espaço dedicado ao pensador que dá nome à casa e a Berta Gleizer Ribeiro. Os dois antropólogos comemoram o nascimento em outubro: ela, dia 2, e ele, dia 26. Em 2024, se comemoram 100 anos de Gleizer e, para celebrar a data, o museu preparou um fim de semana inteiro dedicado a ela com o Seminário Imagens do Futuro: Centenário Berta Ribeiro.

Neste sábado (19), a programação contou com o painel online “‘Antes o Mundo Não Existia’: Cosmopolítica Indígena em Tempos de Crises”, que teve transmissão ao vivo, além da oficina Sonora com Dauá Puri; e do Cine Quintal, com a exibição dos filmes: “Javyju”, de Carlos Eduardo Magalhães e Cunha Rete e “Para Berta, Com Amor”, de Bianca França.

“Javyju” é um filme de ficção científica guarani que conta uma história pós-apocalíptica. Nele, a terra foi devastada e os povos indígenas sobreviveram em seus territórios graças à proteção dos encantados. Com isso, o Pajé da aldeia convoca três jovens para uma viagem à cidade vazia atrás de respostas. Além do cineasta Carlos Eduardo Magalhães, o filme também foi dirigido pelo cacique Cunha Rete. Além dela, outros indígenas fazem parte da equipe técnica e do elenco.

Já “Para Berta, Com Amor” traz à tona recordações de amigos, ex-alunos e colegas de trabalho da antropóloga, reconhecida por seu papel pioneiro nos estudos da cultura material indígena e por sua defesa por uma sociedade sustentável.

Bate-papo

Os diretores Carlos Eduardo Magalhães e Bianca França estiveram presentes durante a sessão e, após a exibição, conversaram e responderam a perguntas do público. Segundo Bianca, foi emocionante estar na casa que Berta e Darcy viveram e tiveram diversas experiências.

“É um prazer estar aqui mostrando um pouco da trajetória da Berta, que foi uma cientista com uma história muito importante. Maricá foi uma cidade que Darcy adotou, que o casal gostava muito de vir. Então, é uma alegria imensa apresentar o filme para os visitantes do museu”, contou Bianca.

O diretor Carlos Eduardo Magalhães lembra a sua relação com o livro "O Povo Brasileiro", de Darcy Ribeiro. Obra que foi escrita na casa que era moradia do pensador, e que hoje é museu em Maricá.

“Até ler o livro, com 25 anos, eu tinha uma relação muito mais colonizada com o Brasil. Depois de conhecer a obra, houve uma mudança na minha vida, até em relação ao caminho que comecei a traçar artisticamente. Então, é uma honra ter recebido o convite para exibir o filme aqui, na casa desse mestre que me ensinou tanto”, afirmou Carlos Eduardo.

O circense e filósofo Doda Paranhos acompanhou toda a programação da comemoração do centenário de Berta Ribeiro, nesse sábado, no espaço. Para ele, a sessão do Cine Quintal foi encantadora.

“É importante a gente valorizar as cientistas mulheres. Berta foi fundamental para a antropologia brasileira. Fiquei muito feliz em ter a oportunidade de assistir aos filmes. Quem ainda não conhece o museu, precisa conhecer, porque o espaço é muito interessante”, analisou Doda.
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