Boris Johnson e a presidente da Comissão Europeia definiram o domingo como prazo para um possível entendimento. - AFP
Boris Johnson e a presidente da Comissão Europeia definiram o domingo como prazo para um possível entendimento.AFP
Por AFP
Inglaterra - Apesar do prestígio de Oxford, Cambridge e outras universidades, estudantes da União Europeia (UE) estimam que o Reino Unido será menos atraente após o Brexit, com taxas exorbitantes e questões legais a serem resolvidas.

O polonês Michal Gren esperava ir ao Reino Unido no próximo ano para fazer um mestrado, mas diante da perspectiva de pagar milhares de libras devido ao Brexit o jovem de 23 anos hesita.

"A partir de agora será muito menos animador", explica o jovem, que estudou em Milão.
Os alunos da UE que iniciarem seu curso no Reino Unido e obtiverem a autorização de residência limitada (pre-settled status) antes de 31 de dezembro não serão afetados.

Mas depois dessa data, o governo não fez promessas e grupos de defesa dos estudantes estão pedindo mais clareza.

O número de candidatos europeus já caiu, de 6.480 no ano passado para 5.220 neste ano, segundo o serviço de admissões.

Provavelmente, os mais afetados serão os alunos do primeiro ano que iniciaram os estudos à distância, de seu país de origem, devido à pandemia do coronavírus.
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Se não puderem viajar para o território britânico antes de 31 de dezembro, não receberão automaticamente o direito de residir e estudar no Reino Unido. Terão, assim, que solicitar um visto de estudante e pagar taxas consideráveis se chegarem após esta data.

Para Maike Bohn, que milita pelos direitos dos cidadãos da UE no Reino Unido, os estudantes não deveriam pagar por seguirem as diretrizes do governo evitando viagens não essenciais. Segundo ela, "vários milhares" de alunos estão nessa situação.

Universities UK, federação que representa 140 estabelecimentos, não forneceu dados.

A associação de Bohn instou o governo a conceder a esses alunos o status de residente sem viagem prévia.
"Você pode ser extremamente rígido e duro, ou pode pensar 'eles são provavelmente os melhores e os mais brilhantes, então por que não?'", apontou.
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Os futuros estudantes europeus terão que pagar as mesmas taxas de inscrição que os estudantes estrangeiros (vários milhares de libras), além do visto de estudante (que custa 350 libras, 472 dólares) e despesas com cobertura médica.

Eles também não terão acesso a empréstimos estudantis britânicos.
De acordo com os cálculos de Michal Gren, ele teria que trabalhar 10 anos na Polônia para pagar três ou quatro anos de estudos em Londres. Uma "quantia enorme", enfatiza.

"Será difícil decidir se o Reino Unido será o melhor lugar para estudar".

Daniel Haid, um estudante alemão de 27 anos da Universidade de Sheffield (norte da Inglaterra), afirma ter perguntado a outros estudantes europeus se eles se aventurariam agora.

"A resposta geralmente é um não franco e retumbante", diz o jovem, que está no segundo ano de engenharia esportiva.

"Temos o luxo de ser cidadãos europeus. Temos muitas outras boas opções", acrescenta.
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Segundo ele, as novas regras farão com que o Reino Unido deixe de ser uma oferta "competitiva" para os estudantes da UE, devido aos custos.

Ele escolheu a Universidade de Sheffield Hallam depois de passar um semestre como parte do Erasmus, um programa europeu que facilita a mobilidade acadêmica dos alunos. O Reino Unido ainda não indicou como irá substituí-lo.

"É claro que haverá, infelizmente, menos estudantes europeus", diz Laura Langone, em seu terceiro ano de Ph.D. em filosofia na Universidade de Cambridge.

"Eu conheço muitas pessoas que não se atrevem a se inscrever".
A jovem de 31 anos do sul da Itália ganhou uma bolsa de estudos de prestígio que cobre suas despesas, mas teme que, depois do Brexit, outras pessoas como ela "possam não se beneficiar de um apoio como o dela".