Milhares de pessoas tentam deixar a capital da Ucrânia, Kiev, pelos trens DANIEL LEAL / AFP

Centenas de cidadãos de países latino-americanos foram evacuados da Ucrânia desde o início do conflito armado com a Rússia, outros aguardam assistência e alguns fugiram do cenário de guerra por conta própria, informaram seus governos.

Parte dos mais de mil latino-americanos que viviam na Ucrânia quando a invasão começou foram removidos por seus governos por terra e por ar, com a gestão conjunta de suas chancelarias e embaixadas em Kiev e em capitais vizinhas.

Alguns países da América Latina, como Chile e Uruguai, carecem de representação diplomática física na Ucrânia, por isso tiveram que recorrer aos esforços de suas embaixadas em nações vizinhas, como Polônia e Romênia.

Outros, como Argentina, Brasil e Peru, organizaram operações especiais com veículos oficiais e aviões militares para transportar seus cidadãos e até nacionais de outros países da região.

Brasil
Havia cerca de 500 brasileiros na Ucrânia, segundo o governo. Aproximadamente 80 já deixaram o país pela Polônia e Romênia, com ajuda de transportes da embaixada. No domingo, 39 pessoas - 37 brasileiros e dois uruguaios - chegaram à embaixada do Brasil em Bucareste, entre eles dois jogadores de futebol e suas famílias.

O governo segue tentando localizar brasileiros na Ucrânia, com o apoio da embaixada em Varsóvia, e instalou um posto avançado na fronteira com a Moldávia. A Força Aérea Brasileira ofereceu dois aviões para as evacuações.

Argentina
Um total de 83 argentinos vivem na Ucrânia e outros 20 estavam de passagem, disse seu Ministério das Relações Exteriores, que evacuou cinco casais que foram à Kiev para buscar seus filhos recém-nascidos de barrigas de aluguel.

A embaixada argentina em Kiev é uma das quatro sede diplomáticos latino-americanos na Ucrânia e trabalha com países da região em um plano conjunto de evacuação e assistência aos cidadãos.

Chile
Um total de 49 chilenos e suas famílias têm residência na Ucrânia, segundo registros no consulado do Chile na Polônia, já que o país não tem embaixada em Kiev. A chanceler interina, Carolina Valdivia, ofereceu uma evacuação "por meio de transporte terrestre" pela fronteira com a Polônia.

Até sábado, cinco chilenos usaram essa rota e chegaram em segurança ao território polonês, onde foram atendidos, informou o presidente Sebastián Piñera. Outros nove estavam perto da fronteira, em contato com o governo.

Colômbia
Há 253 colombianos na Ucrânia e até domingo 76 haviam deixado o país. Bogotá, por meio de sua embaixada na Polônia, organizou a transferência dos deslocados para abrigos que, segundo o próprio governo colombiano, já vinha preparando há pelo menos um mês

Peru
Cerca de 320 peruanos residem na Ucrânia e ao menos 196 serão evacuados "a qualquer momento para a fronteira com a Polônia", onde um avião da Força Aérea do Peru está aguardando, informou o governo. Peruanos e seus filhos nascidos em solo ucraniano sem passaporte receberam um salvo-conduto, explicou Lima.

Uruguai
Os nove uruguaios que estavam registados na Ucrânia já deixaram o país através da Polônia e da Moldávia, embora o governo não descarte que haja mais gente.

Alguns já viajam para outros destinos europeus, outros permanecem na Cracóvia (Polônia), assistidos pela embaixada na Finlândia, e os demais em Bucareste (Romênia), também apoiados por sua embaixada no país.

Guatemala
O Ministério das Relações Exteriores relatou 10 guatemaltecos na Ucrânia e apenas um pediu para ser evacuado. A embaixada na Alemanha abriu um cadastro especial para prestar assistência a todos eles.
Entenda o conflito

O conflito na Ucrânia pela Rússia teve início nesta quinta-feira, 24, após o presidente russo Vladimir Putin autorizar a entrada de tropas militares no país do leste europeu. A invasão culminou em ataques por ar, mar e terra, com diversas cidades bombardeadas, inclusive a capital Kiev, que já deixou mais de 130 mortos e mais de 300 feridos. Essa é a maior operação militar dentro de um país europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

A ofensiva provocou clamor internacional, com reuniões de emergência previstas em vários países, e pronunciamentos de diversos líderes espalhados pelo mundo condenando o ataque russo à Ucrânia. Em razão da invasão, países como Estados Unidos, Reino Unido e o bloco da União Europeia anunciaram sanções econômicas contra a Rússia.

A invasão ocorreu dois dias após o governo russo reconhecer a independência de dois territórios separatistas no leste da Ucrânia - as províncias de Donetsk e Luhansk. Com os ataques, Putin pretende alcançar uma desmilitarizaração e a eliminação dos "nazistas" , segundo o presidente russo.

Outros motivos de Putin pela invasão na Ucrânia se dão pela aproximação do país com o Ocidente, com a possibilidade do país do leste europeu fazer parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan),
aliança militar internacional, e da União Europeia, além da ambição de expandir o território russo para aumentar o poder de influência na região.