Gripe aviária é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves domésticas e silvestresDivulgação / SES

Um vírus considerado “preocupante” por especialistas tem se espalhado pelo mundo em uma escala sem precedentes e acendeu o alerta da comunidade científica para o risco de uma nova pandemia já em 2026. Trata-se de uma cepa altamente infecciosa da gripe aviária, conhecida como H5N1, que vem avançando rapidamente entre animais e apresenta sinais de adaptação que podem facilitar a transmissão para humanos.

Desde 2020, o H5N1 infectou milhões de animais de fazenda e passou a atingir diferentes espécies de mamíferos de forma inesperada. Nos Estados Unidos, o vírus foi detectado em rebanhos de gado leiteiro — um cenário que, segundo especialistas, não estava nos modelos de previsão. A cepa surgiu na Ásia no fim dos anos 1990, mas uma variante mais resistente, chamada clado 2.3.4.4b, acelerou a transmissão entre aves nos últimos seis anos.
Vírus já alcançou a Antártida

Atualmente, o vírus já foi identificado em seis continentes, incluindo a Antártida, região que nunca havia registrado casos de gripe aviária. De acordo com dados divulgados pela rede de TV britânica BBC, mais de 80 milhões de aves foram infectadas apenas nos EUA, além de surtos registrados em mais de mil fazendas leiteiras. 

Embora os casos humanos ainda sejam considerados limitados — 71 infecções confirmadas e duas mortes —, a presença do vírus no gado leiteiro causou surpresa. Para o virologista molecular Ed Hutchinson, professor da Universidade de Glasgow (Escócia), o cenário é alarmante. “Agora temos uma situação em que uma grande proporção do leite consumido nos EUA contém material genético desses vírus altamente patogênicos”, afirmou.

A pasteurização elimina o vírus, mas trabalhadores de fazendas leiteiras e pessoas que consomem leite cru seguem expostos a um risco elevado. Para os especialistas, a capacidade do H5N1 de saltar entre espécies indica um vírus altamente adaptável, com potencial de sofrer mutações relevantes.

“É um problema global. Como doença de animais selvagens, está completamente fora de controle. Não existe, hoje, um método viável de contenção além de observar a infecção em enormes populações animais”, alerta Hutchinson.

Os efeitos sobre mamíferos já são vistos. Na América do Sul, houve mortes em massa de leões-marinhos. Estudos indicam que quase metade da população mundial de fêmeas reprodutoras de elefantes-marinhos-do-sul pode ter sido dizimada.

Um estudo de 2025, conduzido por pesquisadores indianos, concluiu que, se uma cepa pandêmica do H5N1 começar a se espalhar entre humanos, a janela para uma contenção eficaz seria extremamente curta — entre dois e dez casos detectados. Após esse limite, conter a disseminação se tornaria praticamente impossível.