Um homem de 76 anos desenvolveu seios inesperadamente por causa do uso contínuo de um medicamentoDivulgação/New England Journal of Medicine

Um homem de 76 anos viu seu corpo mudar radicalmente. Após meses de sensibilidade e inchaço na região do peito, ele desenvolveu seios. Após avaliação médica, o quadro foi diagnosticado como ginecomastia, um aumento benigno do tecido mamário masculino, e associado ao uso prolongado de um medicamento comum indicado para o coração: a espironolactona.
O paciente relatou que os sintomas vinham se intensificando ao longo de oito meses. Exames descartaram câncer e confirmaram a ginecomastia, condição provocada, na maioria dos casos, por um desequilíbrio hormonal entre estrogênio e testosterona. O problema pode causar aumento visível das mamas, dor local e até a formação de nódulos sob o mamilo.
A causa, segundo os médicos, foi a espironolactona, um dos fármacos mais prescritos no mundo. O medicamento é indicado para o tratamento de hipertensão, insuficiência cardíaca e alguns distúrbios hormonais, mas tem uma lista conhecida de efeitos colaterais.
Entre os efeitos mais comuns estão desidratação, tontura, dor de cabeça e fadiga. No entanto, reações menos divulgadas — como sensibilidade mamária e crescimento das mamas em homens — podem ocorrer. Estudos indicam que cerca de 10% dos pacientes do sexo masculino que utilizam a espironolactona podem desenvolver ginecomastia.
Isso acontece porque o medicamento reduz os níveis de testosterona no organismo. Embora esse efeito seja útil em determinados tratamentos hormonais, em homens pode resultar em alterações indesejadas no tecido mamário.
Especialistas explicam que, em muitos casos, a ginecomastia pode regredir espontaneamente. Quando a causa está relacionada ao uso de medicamentos, a principal recomendação costuma ser o ajuste da dose ou a substituição do remédio por outra opção terapêutica. O tratamento depende da origem do problema e pode incluir apenas acompanhamento clínico.
Em situações específicas, medicamentos hormonais, como o tamoxifeno, podem ser utilizados. Já nos casos em que há volume significativo de tecido mamário e falha dos tratamentos conservadores, procedimentos cirúrgicos — como lipoaspiração ou remoção do tecido glandular — podem ser indicados para reverter o quadro.