Trump afirmou que a ONU tem contribuído pouco para acabar com as guerrasAFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que teve uma ligação telefônica "boa e muito produtiva" com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, antes do encontro com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Os dois se reúnem neste domingo, 28, para tentar fechar um acordo de paz que encerraria quase quatro anos da guerra iniciada com a invasão de Moscou à Ucrânia em fevereiro de 2022.

"A imprensa está convidada. Obrigado por sua atenção em relação ao assunto", acrescenta a publicação na rede Truth Social neste domingo.

Zelensky disse que os dois planejam discutir acordos de segurança e econômicos e que ele levantará "questões territoriais", já que Moscou e Kiev continuam em forte desacordo sobre o destino da região de Donbass, no leste da Ucrânia.

Nos dias que antecederam a reunião, a Rússia intensificou seus ataques à capital da Ucrânia, usando mísseis e drones para atacar Kiev e tentar aumentar a pressão sobre Zelensky.

"A Ucrânia está disposta a fazer o que for necessário para parar esta guerra", postou Zelensky no sábado, 27, no X. "Precisamos ser fortes na mesa de negociações." Antes do encontro com Trump, o líder ucraniano se reuniu com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.

Na mesma ocasião, Trump também disse que os Estados Unidos "talvez" tenham se tornado a verdadeira Organizações das Nações Unidas (ONU), considerando as oito guerras e conflitos que foram pausados nos últimos 11 meses pela atuação do Executivo, segundo publicação feita pelo republicano na rede Truth Social.

Trump publicou que está "satisfeito em anunciar que os confrontos entre Tailândia e Camboja irão parar momentaneamente, e eles voltarão a viver em PAZ, conforme nosso Tratado original recentemente acordado".

Segundo Trump, a ONU tem sido de pouca ajuda na resolução de conflitos, "incluindo o desastre que está ocorrendo atualmente entre Rússia e Ucrânia. As Nações Unidas devem começar a se envolver e se engajar na PAZ MUNDIAL!".
Sem prazo
Trump disse que não há prazo para concluir um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. "Meu prazo é fazer com que a guerra acabe", respondeu, quando questionado sobre uma data para a conclusão das negociações.

"Nada é mais importante do que acordo de paz sobre Ucrânia e Rússia", enfatizou, ao lado do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, após recebê-lo para conversa na Flórida .

Segundo Trump, a negociação é bastante complexa, mas deve seguir "Estamos animados com a reunião e faremos um acordo de paz. Todos querem que isso aconteça", afirmou ainda. Segundo ele, o acordo de segurança será "forte", com nações europeias "muito envolvidas".

Ele disse que há "grande benefício econômico para a Ucrânia" com um eventual acordo de paz e afirmou ainda que o país também fez ataques fortes a Rússia. "Não digo isso de forma negativa", complementou.

De acordo com o presidente americano, os dois líderes, Putin e Zelensky, querem o acordo. O líder agradeceu aos que acompanhavam o pronunciamento e disse que demais questões serão trazidas ao final da reunião.

Zelensky, por sua vez, aproveitou a ocasião para agradecer a recepção de Trump e dizer que as equipes se esforçaram para fazer um rascunho de acordo de paz, que será discutido. "Tivemos equipes Ucrânia-EUA trabalhando juntas, a sequência natural é reunião presencial", completou.

Putin aceitou proposta de Trump

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, aceitou a proposta do presidente americano, Donald Trump, de seguir finalizando um acordo de paz em relação à Ucrânia, mediante grupos de trabalho conjuntos. É o que informou o assessor de política externa de Putin, Kirill Dmitriev, em publicação no X na tarde deste domingo, em que confirma a ligação telefônica entre os presidentes da Rússia e dos EUA, conforme já havia verbalizado Trump na rede Truth Social.

"Os belicistas estão em pânico total após ligação entre Putin e Trump", acrescentou Kirill.

Segundo informações da imprensa russa, o telefonema entre Trump e Putin durou uma hora e 15 minutos, e os presidentes também concordaram em criar dois grupos de trabalho para a paz, um focado em questões de segurança, e o outro, em aspectos econômicos.