Secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, afirma que saída dos EUA de acordos climáticos não prevê impactos ao paísRalf Vetterle/Pixabay
Foi o que afirmou o secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, ao comentar a decisão do governo de Donald Trump, que também vai sair do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), também da ONU, que reúne os mais renomados cientistas climáticos e publica relatórios sobre o aquecimento global. Stiell disse que medida é um gol contra colossal.
Acordo de Paris
Ao todo, os EUA se retiraram de um total de 66 organizações internacionais, em anúncio feito nesta quarta-feira (7).
Mais caro
Para Simon Stiell, a consequência dessa decisão norte-americana, na prática, vai significar encarecimento nos preços de energia, alimentos, transporte e seguros para famílias e empresas do país, "à medida que as [energias] renováveis continuam ficando mais baratas que os combustíveis fósseis, à medida que desastres impulsionados pelo clima atingem as culturas, empresas e infraestrutura americanas cada vez mais duramente a cada ano, e a volatilidade do petróleo, carvão e gás gerando mais conflitos, instabilidade regional e migração forçada".
Na visão do Instituto Talanoa, organização não governamental brasileira que atua no debate sobre o clima, a decisão dos EUA de abandonar o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e a Convenção do Clima da ONU representa um novo capítulo de choque político em meio à crise climática global.
"É um recuo que enfraquece a credibilidade americana, mas não determina sozinho o rumo da governança climática global. Se outros países seguirem Trump ou se os demais não assumirem a responsabilidade de liderar, este será um momento de baixa, com custos reais em coordenação, ambição e financiamento. Se novas lideranças se apresentarem, o sistema pode atravessar esse período sem colapso. A diferença estará na reação coletiva e ela precisa ser rápida", observou.
Por enquanto, segundo Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, o regime multilateral segue em funcionamento, mas o financiamento climático internacional deve sofrer queda imediata.
Energia
Ainda segundo Bessent, os Estados Unidos estão comprometidos com o avanço de todas as fontes de energia acessíveis e confiáveis, mas o GCF foi criado para complementar os objetivos da UNFCCC e a continuidade da participação no GCF foi considerada incompatível com as prioridades e metas do governo Trump.
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