Deputados da esquerda apresentaram, na manhã desta nesta sexta-feira (9), uma moção de censura contra o governo francês, ao considerar que a França foi "humilhada" com o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, ao qual Paris se opõe.
O partido A França Insubmissa, liderado por Jean-Luc Mélenchon, "apresentou nesta manhã uma moção de censura contra o governo" do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou o líder parlamentar, Mathilde Panot no X (antigo Twitter). Para Panot, "Lecornu e Macron devem ir embora".
O presidente do partido de ultradireita Reagrupamento Nacional (RN), Jordan Bardella, anunciou que sua legenda apresentaria uma moção de censura contra o governo francês e outra, no Parlamento Europeu, contra a Comissão Europeia, por causa do acordo com o Mercosul.
Macron está tentando "uma manobra de comunicação tão tardia quanto hipócrita" ao "pretender hoje se opor [ao acordo com o Mercosul], depois de anos de negociações sem jamais defender os interesses franceses", afirmou Bardella no X.
Lecornu disse que as moções de desconfiança enviam um sinal negativo para o exterior em um momento em que a França deveria tentar demonstrar unidade para convencer outras nações europeias e estava atrasando as negociações para chegar a um acordo sobre um orçamento.
"Apresentar uma moção de censura neste contexto é optar deliberadamente por expor divergências políticas internas. É optar por enfraquecer a voz da França em vez de demonstrar a unidade nacional na defesa da nossa agricultura", publicou o premiê nas redes sociais.
"Esta moção de censura atrasa ainda mais as discussões orçamentárias, já bloqueadas pelos mesmos partidos políticos em função da agenda eleitoral, e envia um sinal muito negativo ao exterior, num momento em que as tensões internacionais exigem seriedade e coesão e a crise agrícola torna urgente a aprovação de um orçamento", acrescentou.
La France a une position claire sur le Mercosur : nous voterons contre, sans surprise.
Déposer une motion de censure dans ce contexte, c’est choisir délibérément d’afficher des désaccords politiciens internes. C’est choisir d’affaiblir la voix de la France plutôt que de montrer…
Nesta sexta, a maioria qualificada de países dos 27 estados-membros da UE aprovaram o acordo UE-Mercosul, negociado há mais de 25 anos.
O presidente francês, Emmanuel Macron, já havia anunciado seu voto contra por causa da "rejeição política unânime" em seu país.
Com esse sinal verde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar a Assunção para assinar na próxima segunda-feira (12) o acordo comercial que vinculará o bloco à Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.
Após mais de 25 anos de negociações, a UE aprovou criar a maior zona de livre comércio do mundo, com várias cláusulas concebidas para acalmar a oposição dos agricultores europeus.
Embora a assinatura avance em Assunção, o acordo não entrará imediatamente em vigor, já que do lado europeu é também necessário o aval do Parlamento Europeu, que deverá pronunciar-se em um prazo de várias semanas.
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