Dupla de policiais portugueses é presa por torturar imigrantes e pessoas em situação de rua Pixabay
Dupla de policiais portugueses é presa por torturar imigrantes e pessoas em situação de rua
Agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) têm 21 e 24 anos e atuavam na 22ª Esquadra (delegacia), no Largo do Rato, centro de Lisboa
Dois policiais portugueses que atuavam em Lisboa, capital do país europeu, foram presos preventivamente por cometerem tortura contra imigrantes e pessoas em situação de rua. As informações foram divulgadas pelo Ministério Público (MP) de Portugal nesta sexta-feira, 16.
Os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) têm 21 e 24 anos e atuavam na 22ª Esquadra (delegacia), no Largo do Rato, centro de Lisboa. Eles foram acusados pelo MP dos crimes de tortura, abuso de poder, abuso sexual e ofensas à integridade física, entre outros.
De acordo com o jornal português Diário de Notícias, que teve acesso ao processo, os dois agentes agrediam pessoas que tinham detido com "socos e chapadas (tapas)", e também com "coronhadas na cabeça". Algumas das agressões foram filmadas e fotografadas, assim como as respectivas vítimas, e compartilhadas num grupo de WhatsApp com outros policiais.
O indiciamento, feito pela promotora Felismina Franco, menciona ainda outros tipos de agressão, sempre particularmente direcionadas às pessoas mais vulneráveis, como pessoas em situação de rua, imigrantes e usuários de drogas, "fisicamente fracas e com dificuldades econômicas". Em diversas ocasiões, os policiais roubaram dinheiro, bens pessoais e documentos das vítimas.
Um homem de origem marroquina foi espancado durante várias horas com um bastão dentro de uma delegacia. Segundo o MP, ele foi obrigado a beijar as botas dos policiais enquanto um deles gritava, em inglês: "Bem-vindo a Portugal!". Em outro momento, um dos policiais teria tentado introduzir o bastão no ânus da vítima.
O uso de um bastão é relatado em pelo menos mais um caso, em que os agentes teriam introduzido a arma no ânus da vítima e feito movimentos de vaivém, indica a promotora. Ela menciona também o uso de um cabo de vassoura numa tentativa de sodomizar uma vítima.
Em outra ocasião, os policiais teriam acorrentado uma mulher na delegacia de forma a deixá-la de braços abertos, como se estivesse numa cruz, e pisaram e danificaram os itens pessoais dela enquanto a vítima podia apenas observar.
O Ministério do Interior de Portugal, responsável pela PSP, afirmou à agência de notícias Reuters que "lamenta profundamente esse comportamento e todas as ações que infringem os direitos dos cidadãos", e disse que os episódios não representam a conduta geral dos profissionais da polícia.
A Inspetoria-Geral (equivalente às Corregedorias brasileiras) abriu um inquérito em paralelo para apurar a possível participação de outros policiais, informou o ministério.
A filial portuguesa da ONG Anistia Internacional afirmou ter recebido informações sobre outros casos de tortura. A entidade pediu a criação de um órgão externo e independente de supervisão policial, além da ampliação do uso de câmeras em delegacias, viaturas e câmeras corporais durante abordagens.
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