Trump precisa que Colômbia assegure recepção estável de milhares de imigrantes em situação irregularAFP
Este é o primeiro e talvez o último encontro presencial entre os dois líderes, e começou logo após a chegada do veículo de Petro à entrada dos dignatários na Casa Branca às 11h00 (13h00 no horário de Brasília), confirmou a AFP.
A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, precisa do apoio de Washington para manter a pressão militar nas regiões de cultivo e, para isso, a certificação de seus esforços de combate às drogas é crucial. A Colômbia perdeu essa certificação no ano passado, pela segunda vez em quatro décadas.
O objetivo é “o combate ao narcotráfico, a partir de uma abordagem que prioriza a vida e a paz em nossos territórios”, disse Petro em mensagem na rede social X, antes de entrar na reunião.
Trump, por sua vez, precisa que a Colômbia assegure a recepção estável de milhares de imigrantes em situação irregular, resultado de sua campanha de deportações que enfrenta fortes críticas da oposição.
Na semana passada, Bogotá anunciou que os voos de aeronaves colombianas serão retomados após uma suspensão de oito meses.
Mas os dois são imprevisíveis diante da imprensa e a Casa Branca mantém a reunião com discrição, sem imagens no Salão Oval.
“Vamos falar sobre drogas, porque enormes quantidades de drogas saem do país dele”, disse Trump a repórteres na véspera da reunião.
Embora coincidam no tom coloquial e populista, todo o resto os separa: Petro é um ex-guerrilheiro e quer manter viva a voz da esquerda no continente, que entrou em uma fase nitidamente conservadora.
Trump é o líder que ressuscitou a Doutrina Monroe de intervencionismo na região, a ponto de forçar todos os seus vizinhos do sul a se posicionarem a favor ou contra os Estados Unidos.
Petro chegou a Washington acompanhado de seu ministro das Relações Exteriores, seu ministro da Defesa e altos funcionários de inteligência.
A relação entre os dois países "será relançada", prometeu à imprensa o ministro das Relações Exteriores, Rosa Villavicencio, após a sua chegada a Washington.
Com este encontro, “a mensagem é clara: as nações ganham e os crimes perdem”, acrescentou o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, que visitou Washington diversas vezes nos últimos meses.
Sánchez confirmou a extradição de um chefão do tráfico de drogas, Pipe Tuluá, antes do encontro.
O governo dos EUA se irritou e, em setembro, a relação bilateral se deteriorou ainda mais: Trump começou a atacar embarcações relacionadas ao tráfico de drogas no Caribe, o que Petro denunciou como "execuções extrajudiciais".
Pouco depois veio o golpe devastador ao retirar o certificado de combate às drogas da Colômbia, o que colocou em risco centenas de milhões de dólares em ajuda bilateral.
A Petro conseguiu mobilizar-se não só a América Latina para denunciar os ataques, mas também a opinião pública americana. Ele chegou a Nova York para a Assembleia Geral da ONU e participou de manifestações nas ruas da cidade, onde conclamou diretamente os americanos a se oporem a Trump.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, revogou seu visto e, em seguida, avaliações pessoais foram anunciadas contra ele e sua família.
Trump o acusou de ser um “líder do narcotráfico” e o anunciou para “tomar cuidado” se não quisesse que a Colômbia sofresse o mesmo destino da Venezuela.
A queda do líder venezuelano Nicolás Maduro marcou o momento mais delicado dessa relação conturbada. Mas também foi o incidente para que os dois conversassem, segundo fontes diplomáticas em Washington.
Com um visto de entrada temporária, Petro planeja aproveitar ao máximo seu tempo em Washington: além de sua própria coletiva de imprensa, ele se reunirá com membros do Congresso, comparecerá na Organização dos Estados Americanos (OEA), dará uma palestra na Universidade de Georgetown e concluirá sua estadia com um encontro com a diáspora colombiana.
Petro deixa a presidência em agosto, enquanto Trump ainda tem três anos de mandato pela frente, com eleições de meio de mandato decisivas nesse período.

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