Ministro da Inteligência Esmail Khatib foi morto em ataque israelenseReprodução/Khamenei.ir
Israel mata outro alto dirigente iraniano e dá liberdade de ação ao seu Exército
Presidente do Irã diz que morte do ministro da Inteligência, Esmail Khatib, foi um 'assassinato covarde'
Israel matou, nesta quarta-feira (18), outro alto funcionário do poder iraniano, o ministro da Inteligência Esmail Khatib, e deu carta branca ao seu Exército para eliminar qualquer dirigente da república islâmica que esteja na mira.
O regime iraniano advertiu, por sua vez, que ninguém escapará das consequências da guerra que trava contra Israel e os Estados Unidos, enquanto países do Golfo interceptaram novos foguetes e drones lançados contra alvos que incluem bases americanas.
O conflito fez dispararem os preços do petróleo depois que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde costumava passar um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos.
O presidente americano, Donald Trump, está em uma queda-de-braço com aliados para que o ajudem em uma missão militar para reabrir esta crucial via marítima.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, confirmou horas depois a morte de seu ministro da Inteligência, o que qualificou como um "assassinato covarde".
Khatib é o último de uma série de altos funcionários iranianos mortos durante a guerra, entre eles o anterior líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, primeiro dia do conflito.
Nesse dia, também foi morto o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh. E, nesta semana, Israel eliminou o chefe do Conselho Superior de Segurança, Ali Larijani, e Gholamerza Soleimanial, líder da força paramilitar Basij.
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, anunciou que Khatib foi "eliminado" em um bombardeio noturno.
Katz também explicou que ele e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, autorizaram o Exército a atacar "qualquer alto funcionário iraniano para o qual o cerco de Inteligência e operacional tenha sido fechado, sem necessidade de aprovação adicional".
Segundo a mídia iraniana, entre os locais atingidos pelos bombardeios nesta quarta-feira estão Teerã, a província de Lorestan, a cidade de Hamedan, no oeste, e a região de Fars, no sul.
A agência Tasnim reportou sete mortos e 56 feridos "em áreas residenciais" em Durud, em Lorestan. A AFP não pôde verificar de forma independente os balanços das autoridades.
- "Onda de repercussões mundiais" -
Uma multidão se reuniu no centro de Teerã nesta quarta-feira para o funeral de Larijani e do general Soleimani, durante o qual foram homenageados os mais de 80 marinheiros da fragada afundada por um submarino dos Estados Unidos há duas semanas em frente à costa do Sri Lanka.
Os caixões foram cobertos com bandeiras iranianas em uma procissão, enquanto pessoas enlutadas caminhavam ao lado, exibindo fotos do falecido Khamenei e batendo no próprio peito, um gesto tradicional de luto na cultura xiita.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou no X que "a onda de repercussões mundiais está apenas começando e atingirá todo mundo, sem distinção de riqueza, crenças ou raça".
A Guarda Revolucionária reivindicou bombardeios que deixaram pelo menos dois mortos na região de Tel Aviv, nesta quarta-feira, e prometeu "vingar o sangue" dos dirigentes iranianos assassinados.
Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, disse que o governo iraniano sofreu duros golpes e ficou fragilizado, embora siga "intacto".
- Trump ameaça deixar seus aliados sozinhos -
O Irã bombardeia diariamente instalações de petróleo e gás no Golfo, alimentando preocupações sobre o impacto econômico global da guerra.
Os preços voltaram a escalar nesta quarta-feira, após um ataque de Estados Unidos e de Israel contra a jazida de South Pars-North Dome, a maior reserva de gás conhecida do mundo, que se estende entre o Irã e o Catar.
O exército iraniano ameaçou com novos ataques a infraestruturas energéticas no Golfo em represália.
Trump, por sua vez, elevou o tom com seus aliados que se distanciaram da guerra e descartaram ajuda para escoltar navios-tanque pelo Estreito de Ormuz.
"NÃO PRECISAMOS DA AJUDA DE NINGUÉM", escreveu Trump em sua plataforma, Truth Social.
Depois, o republicano sugeriu que poderia deixá-los sozinhos para pressioná-los e afirmou que os Estados Unidos não precisam do Estreito e, por isso, poderia "deixar que os países que o usam" encontrem uma solução.
- "De partir o coração" -
Em outra frente da guerra, Israel voltou a bombardear Beirute, um ataque que deixou uma dúzia de mortos. Desde que o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah atacou Israel para vingar a morte de Khamenei, o Líbano registrou 968 mortos.
No centro de Beirute, o barulho dos bombardeios "foi assustador", disse Saleh, uma mulher de 29 anos, deslocada da periferia sul para a capital.
As crianças "começaram a chorar e a entrar em pânico, é de partir o coração", lamentou.
O Exército israelense também disse ter bombardeado "alvos terroristas do Hezbollah" na região de Tiro, no sul do Líbano.
Também no sul, um engarrafamento sem fim se estendia pela costa das áreas bombardeadas.
Nidal Ahmad Chokr, de 55 anos, fugiu de sua casa em Jibchit, na terça-feira, quando os bombardeios se intensificaram.
"Os padeiros morreram enquanto faziam pão" na praça da cidade e os trabalhadores municipais "foram martirizados" enquanto operavam escavadeiras.

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