Essas conversas entre os dois países, inimigos desde a revolução islâmica de 1979, desenrolam-se, segundo a Casa Branca, em um formato trilateral, com a presença de membros do alto escalão do Paquistão, que facilitou o cessar-fogo de duas semanas iniciado na quarta-feira.
À tarde, a televisão estatal iraniana afirmou que já foram realizadas duas rodadas e que uma terceira acontecerá "provavelmente esta noite ou amanhã", domingo, mas não entrou em detalhes. E a Casa Branca limitou-se a dizer que os diálogos estão "em andamento".
Uma fonte paquistanesa que pediu anonimato assegurou que "as negociações avançam na direção certa". "O ambiente geral é cordial", disse à AFP.
O presidente americano Donald Trump afirmou neste sábado que “tanto faz” para ele o resultado das conversas entre os Estados Unidos e o Irã no Paquistão, ao insistir que seu país havia vencido a guerra.
“Cheguemos ou não a um acordo, tanto faz para mim. O motivo é que nós vencemos”, disse Trump a jornalistas.
Por parte dos Estados Unidos, a delegação é chefiada pelo vice-presidente JD Vance. Junto a ele, estão o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump.
O Irã está representado em Islamabad, entre outros, por seu influente presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
A guerra começou em 28 de fevereiro com um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e, desde então, causou milhares de mortes, sobretudo no Irã e no Líbano.
'Lutam por sua sobrevivência'
"Conseguimos destruir o programa nuclear e destruir o programa de mísseis" do Irã, declarou Netanyahu em um discurso televisionado, acrescentando que a guerra também enfraqueceu os dirigentes iranianos e seus aliados regionais.
"Eles queriam nos estrangular e [agora] somos nós que os estrangulamos. Eles nos ameaçavam com a aniquilação e agora lutam por sua sobrevivência", afirmou.
Mas, segundo Trita Parsi, analista do grupo de reflexão Quincy Institute for Responsible Statecraft, "nunca antes os iranianos tinham negociado com os Estados Unidos com tantas cartas na mão".
Entre os meios de pressão de que Teerã dispõe está o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o abastecimento de hidrocarbonetos, praticamente bloqueado desde o início da guerra, com consequências em cascata para a economia mundial.
As forças armadas dos Estados Unidos anunciaram que dois navios de guerra cruzaram essa via marítima para uma operação preparatória ao seu desminamento, poucas horas depois de Trump dizer que seu país havia iniciado "o processo de desbloqueio" do estreito.
A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou tratar “severamente” os navios militares que transitarem pelo Estreito de Ormuz, informou a televisão estatal neste domingo (12, noite de sábado no Brasil).
“Qualquer tentativa de navios militares de passar pelo Estreito de Ormuz será enfrentada severamente”, declarou o comando naval da Guarda, segundo a emissora IRIB.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, avalia que as partes estão em uma fase de tudo ou nada, o que dificulta "estabelecer uma trégua duradoura".
O fosso entre os países beligerantes é abissal em temas cruciais como as sanções, a situação no Líbano e a reabertura do Estreito de Ormuz. Veículos de comunicação iranianos afirmam que os Estados Unidos apresentam "exigências excessivas" sobre o estreito.
Mais de 2 mil mortos no Líbano
Neste sábado, os ataques israelenses no sul do Líbano mataram ao todo 18 pessoas, segundo o Ministério da Saúde.
O exército israelense anunciou ter atacado, nas últimas 24 horas, mais de 200 alvos do Hezbollah. Na quarta-feira, realizou no país os ataques mais mortíferos desta guerra, com ao menos 357 mortos em um único dia, segundo o último balanço.
As autoridades libanesas informaram que, desde 2 de março, foram registrados 2.020 mortos e 6.436 feridos.
De acordo com a presidência libanesa, estão previstas para terça-feira conversações entre Líbano e Israel em Washington, que o Hezbollah não vê com bons olhos.
Netanyahu quer um acordo duradouro. "O Líbano recorreu a nós para iniciar negociações diretas [...] Estabeleci duas condições: queremos o desarmamento do Hezbollah e queremos um verdadeiro acordo de paz que perdure por gerações", declarou em seu discurso transmitido pela TV.
Enquanto isso, o papa fez um apelo desesperado pela paz. "Basta de idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta de ostentação de força! Basta de guerra! A verdadeira força se manifesta no serviço à vida", declarou o sumo pontífice em uma vigília pela paz na Basílica de São Pedro, em Roma.

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