Javier Milei compartilhou publicação de secretário escrevendo a sigla "NOL$ALP" (não odiamos jornalistas o suficiente)AFP
Em publicação na rede social X, o secretário de Comunicação e Imprensa do país, Javier Lanari, disse que o único objetivo da medida é "garantir a segurança nacional".
"Todos ficaram do lado de fora da sala de imprensa. Me disseram que é temporário", disse Lautaro Maislin, jornalista credenciado do canal C5N.
Segundo diversos veículos de comunicação, a investigação está relacionada, por um lado, a uma suposta rede de espionagem russa que o governo suspeita ter orquestrado uma campanha midiática contra o presidente Milei em 2024.
Por outro lado, envolve uma denúncia criminal contra dois jornalistas do canal Todo Noticias por suposta espionagem, devido a filmagens realizadas em áreas não autorizadas do palácio presidencial.
"Gostaria muito de ver esses lixos imundos que possuem credenciais de imprensa (95%) vir a público defender o que esses dois criminosos fizeram", escreveu Milei no X nesta quarta-feira (22), junto com uma foto dos jornalistas acusados. "Espero que isso chegue aos responsáveis", acrescentou.
Em nota, os jornalistas credenciados pediram "uma resolução rápida" para a situação e descreveram a medida como "discricionária e sem aviso prévio".
"A decisão sugere um ataque explícito à liberdade de imprensa, ao exercício da profissão e ao direito de todos os cidadãos ao acesso à informação", afirmaram. A medida não tem precedentes, nem mesmo durante a ditadura civil-militar (1976-1983), salientaram.
A relação de Milei com a imprensa tem sido tensa desde que ele assumiu o cargo em dezembro de 2023, marcada por ataques verbais e insultos contra jornalistas, a quem ele chama com frequência de "lixo".
Em seu recente relatório global, a Anistia Internacional alertou para "processos criminais e assédio judicial" contra jornalistas na Argentina.

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