É de "cinismo absoluto" pedir cessar-fogo para organizar "celebrações propagandísticas", disse ZelenskyAFP
O Exército russo lançou 11 mísseis balísticos e 164 drones contra a Ucrânia durante a noite, informou a Força Aérea ucraniana.
Na região central de Poltava, um ataque com drones e mísseis russos deixou quatro mortos e 37 feridos, informou uma fonte do governo local. Na região de Kharkiv, no nordeste, uma pessoa morreu e duas ficaram feridas, informou a Procuradoria.
"É de um cinismo absoluto pedir um cessar-fogo para organizar celebrações propagandísticas, enquanto lança ataques todos os dias com mísseis e drones", declarou Zelensky durante uma visita ao Bahrein.
A Ucrânia decretou um cessar-fogo a partir de quarta-feira (6), enquanto a Rússia anunciou unilateralmente uma trégua para os dias 8 e 9 de maio, com o objetivo de celebrar no sábado, em Moscou, o desfile do Dia da Vitória.
As tréguas acontecerão mais de três semanas após um cessar-fogo de 32 horas, durante a Páscoa ortodoxa, que foi violado repetidamente, embora tenha sido respeitada a interrupção dos ataques aéreos de longo alcance.
Kiev advertiu que responderia a qualquer ataque de Moscou durante a nova trégua. O Exército russo, por sua vez, ameaçou lançar "um ataque em larga escala com mísseis" contra a Ucrânia em caso de violação da sua trégua. "Vamos agir de forma recíproca a partir desse momento", advertiu Zelensky.
Segundo o analista político ucraniano Volodimir Fessenko, o anúncio de uma trégua por parte de Kiev é uma manobra tática nos âmbitos "informativo e político".
"Se a Rússia não respeitar o nosso cessar-fogo, temos o direito de não respeitar o deles. Isso anula a iniciativa de Putin", avalia Fessenko, que considera "quase certo" que nenhuma trégua será plenamente respeitada.
A Rússia celebra todos os anos o Dia da Vitória soviética sobre a Alemanha nazista em 1945 com um grande desfile militar na Praça Vermelha de Moscou.
A Ucrânia, em resposta à intensificação dos bombardeios nas últimas semanas, multiplicou os ataques com drones contra o território russo. Um dispositivo destruiu a fachada de um edifício residencial de luxo na zona oeste da capital russa.
"A paz ou desfiles militares"
A Ucrânia pede há muito tempo uma trégua prolongada na frente de batalha para facilitar as negociações e alcançar um acordo que acabe com a guerra, desencadeada pela invasão russa de fevereiro de 2022, o conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Moscou rejeita a ideia, argumentando que um cessar-fogo mais amplo permitiria a Kiev reforçar suas defesas.
"A paz não pode esperar por 'desfiles' e 'comemorações'. Se Moscou está disposto a acabar com as hostilidades, pode fazê-lo amanhã à noite", reagiu o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sibiga, na segunda-feira.
"Em 6 de maio, veremos se Moscou fala sério e o que realmente quer: paz ou desfiles militares", acrescentou.
Os anúncios acontecem no momento em que o governo dos Estados Unidos desvia sua atenção para a guerra no Oriente Médio, após seus esforços para tentar acabar com o conflito na Ucrânia.
Também ocorrem em um contexto delicado para o Exército russo na frente de batalha. A zona controlada pelos russos na Ucrânia foi reduzida em quase 120 quilômetros quadrados em abril, algo que não acontecia desde a contraofensiva ucraniana no segundo semestre de 2023, segundo uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).

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