Ebola causou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anosAhmed Jallanzo/EPA/Agência Lusa/ Direitos Reservados/Agência Brasil
"A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se propaga rapidamente", declarou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma entrevista coletiva.
"Anteriormente, a OMS havia avaliado o risco como alto em nível nacional e regional, e baixo em nível mundial. Atualmente, estamos revisando nossa avaliação de riscos para classificá-lo como muito alto em nível nacional, alto em nível regional e baixo em nível mundial", acrescentou.
"Muito alto" é "o nível de risco mais elevado", precisou à AFP um porta-voz da OMS.
A epidemia se propagou nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, divididas pela linha de frente entre as forças congolesas e o grupo armado M23, apoiado por Ruanda, que se apoderou de grandes extensões de território desde 2021.
Diante dessa situação, a resposta sanitária é difícil e provocou cenas de caos em Ituri, onde fica o foco da epidemia e para onde a OMS enviou mais pessoal.
Até agora, "foram confirmados 82 casos, incluindo sete mortes" na RDC, indicou Tedros, mas ele precisou que há no país cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas.
A isso se somam medidas "insuficientes" para controlar a epidemia e a falta de acesso para trabalhadores humanitários, segundo Abdi Mahamud, diretor de operações de alerta e resposta a emergências sanitárias da OMS.
Tratamentos e vacinas
Um americano que contraiu ebola na RDC está hospitalizado na Alemanha. Outro cidadão americano, considerado contato de alto risco, foi transferido para a República Tcheca, segundo Tedros.
Em Kivu do Norte, o transporte de passageiros em ônibus e táxis foi suspenso em certos eixos. O grupo armado antigovernamental Movimento 23 de Março, que controla a cidade de Goma, indicou em um comunicado que "colaborará com os serviços sanitários dependentes de Kinshasa" para tentar conter a epidemia.
O ebola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos, é menos contagioso que a covid ou o sarampo.
Na falta de vacina e de um tratamento autorizado contra a cepa Bundibugyo do vírus, responsável pelo surto atual, tenta-se conter sua propagação com barreiras sanitárias e a detecção rápida dos casos.
As vacinas existentes contra o ebola só são eficazes contra a cepa Zaire do vírus, responsável pelas maiores epidemias registradas.
O grupo "R&D Blueprint" da OMS reuniu seu grupo consultivo técnico sobre tratamentos e "recomendou dar prioridade a dois anticorpos monoclonais para avançar rumo a ensaios clínicos", ressaltou Tedros.
Trata-se de "Regeneron 3479" e "Mapp Bio MBP134", segundo a cientista-chefe da OMS, Sylvie Briand.

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