Análise de DNA apontou que sangue encontrado em arma do crime não era de Douglas Stewart CarterReprodução / X
A Justiça de Utah (EUA) concedeu a Carter liberdade sob fiança, apesar da oposição da família da vítima. Carter terá de usar tornozeleira eletrônica enquanto aguarda novo julgamento do caso.
A Suprema Corte estadual determinou a realização de um novo julgamento em 2025, citando má conduta de investigadores. Carter sustenta que é inocente e afirma que a confissão assinada foi obtida sob coação. Nenhuma prova material o ligava à cena do crime. Ainda assim, o júri o condenou, com base na confissão e no depoimento de duas testemunhas que disseram que ele, um homem negro, "se gabava" de ter matado Olesen, que era branca. As testemunhas voltaram atrás depois.
A análise de DNA recebida no último dia 22 excluiu Carter como possível fonte do sangue encontrado em uma maçaneta e do material genético recolhido no cabo da faca usada para esfaquear Olesen, que também foi baleada. Na decisão, o juiz distrital diz que os resultados enfraquecem ainda mais a acusação contra Carter, mas que um júri ainda poderia concluir que ele matou Olesen.
Promotoria reavalia o caso
O advogado de Carter, Neal Hamilton disse que Carter precisará de terapia para lidar com o longo período de encarceramento.
"Se dependesse do estado de Utah, ele teria sido executado há 15, 20 anos, antes de descobrirmos a má conduta", afirmou Hamilton. O advogado pediu que a Promotoria busque o arquivamento da acusação de homicídio qualificado que ainda pesa contra Carter. Um novo julgamento, com duração prevista de dois meses, estava marcado para o ano que vem, mas na semana passada os promotores do condado retiraram o pedido de pena de morte.
Ainda nesta segunda, o promotor do condado de Utah, Erwin Petilos, disse ao juiz que reavaliar a fiança era "necessário e justo", enquanto o estado continua analisando as provas restantes do caso.
Nascido em Chicago, Carter morava com a mãe em Utah quando Olesen foi morta, em 27 de fevereiro de 1985. Documentos do tribunal indicam que a investigação se concentrou nele, suspeito de matar Olesen durante um roubo. Em abril daquele ano, Carter fugiu de Utah por acreditar que era suspeito em um caso de agressão sem relação com o assassinato. Foi capturado em junho em Nashville, no Tennessee, onde assinou uma confissão durante interrogatório conduzido por um detetive de Provo. Carter disse mais tarde que confessou falsamente depois de ser repetidamente ameaçado pela polícia.
Ele foi condenado à morte em um julgamento no qual a defesa não chamou nenhuma testemunha. Foi sentenciado novamente à morte após um novo julgamento, em 1992, e a Justiça de Utah rejeitou inúmeros recursos nos anos seguintes.
Testemunhas ganharam dinheiro e presentes na polícia
Após mais de uma década de disputas judiciais, no ano passado, a Suprema Corte de Utah determinou novo julgamento, citando "múltiplos casos de má conduta intencional" por parte da polícia e de um promotor.
Uma análise de DNA das provas foi feita em cumprimento a essa decisão, e os promotores disseram que os resultados chegaram na semana passada.
Marido da vítima era suspeito
Orla Olesen, que morreu em 2009, disse à polícia que encontrou a mulher morta em casa, parcialmente despida e com as mãos amarradas às costas.
Theresa Olesen, nora de Eva Olesen, disse durante a audiência sobre a fiança, na segunda, que a família tem "sérias preocupações" com a soltura de Carter. "Meu Deus, nós esperávamos uma correspondência concreta", disse ela, referindo-se à análise de DNA. "Isso não quer dizer que ele não esteve lá."
"Só queremos justiça para Eva. E, se ele teve alguma participação, queremos que isso seja conhecido", finalizou.
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