Zelensky lamentou que avanços diplomáticos com os EUA não tenham alterado a conduta de MoscouAFP
Após a reunião entre Witkoff e Putin em São Petersburgo, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que nunca se esteve "tão perto" do fim do conflito no coração da Europa, que começou com a invasão das tropas russas em fevereiro de 2022. Os ataques, no entanto, prosseguiram nesta quinta-feira.
Durante a noite, "os sistemas de defesa aérea destruíram 808 drones ucranianos" sobre quase 20 regiões russas e a Crimeia anexada, o que deixou vários feridos, anunciou o Ministério da Defesa russo em um comunicado.
A Rússia disparou 21 mísseis balísticos e mais de 200 drones contra várias regiões da Ucrânia, incluindo a capital, Kiev. Os bombardeios provocaram danos em instalações de energia e deixaram pelo menos dois mortos e 34 feridos, segundo Zelensky.
Witkoff viajou para a Rússia depois de se reunir com o presidente da Ucrânia nesta terça-feira (20), na Noruega, com o objetivo de aparar arestas entre os governos. O genro de Trump, Jared Kushner, participou da reunião com Putin por videoconferência.
O conselheiro diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, disse a jornalistas que a Rússia está, "a princípio, disposta a retomar" as conversações trilaterais com Kiev e Washington em meados de novembro, depois das eleições de meio de mandato de 3 de novembro nos Estados Unidos.
"Quase imediatamente após uma nova série de conversações, a Rússia lança um ataque. Isso mostra que sua atitude não mudou diante de tudo o que está acontecendo", afirmou Zelensky.
Reunião trilateral alternativa sem Zelensky
Ushakov disse que Witkoff informou a Putin sobre "alguns novos aspectos nas abordagens dos europeus e de Kiev", mas acrescentou que "na realidade, não tinham muito conteúdo".
Também foi discutida a preparação de uma cúpula entre Putin, Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Shenzhen, no próximo mês, disse Ushakov, que classificou o encontro como "a primeira reunião do tipo na história".
Witkoff destacou nas redes sociais que as conversas com o presidente russo foram "construtivas", mas que "ainda há trabalho importante por fazer".
As discussões continuarão entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia com a participação de equipes técnicas, acrescentou.
Ucrânia "a favor"
Nos últimos dias, um Trump cada vez mais frustrado deu uma nova guinada, ao se afastar da Ucrânia e se aproximar novamente de Putin. Neste sentido, o americano anunciou um acordo para que a Rússia venda diesel em grandes quantidades ao mercado dos Estados Unidos, com o objetivo de reduzir os preços da energia, que dispararam devido à guerra contra o Irã.
Na Ucrânia, Zelensky disse que Kiev também apoia a retomada das conversações trilaterais com Moscou e Washington. "A parte americana propõe organizar esta reunião o mais rápido possível. Somos a favor", disse à imprensa.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.