Paciente com ebola, uma diplomata que tinha estado em Uganda, está internada em hospital na NigériaLight Oriye Tamunotonye / AFP

A Nigéria confirmou nesta quarta-feira (21) que o primeiro caso de ebola do país é da cepa Bundibugyo, variante responsável por uma epidemia na República Democrática do Congo. Durante uma reunião de emergência para tratar do surto, autoridades locais informaram que a paciente é uma diplomata.

"Realizamos três níveis de testes, todos de natureza molecular. A cepa revelou ser a Bundibugyo", declarou Olajumoke Babatunde, diretora do serviço de laboratórios de saúde pública do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Nigéria.

Outro funcionário esclareceu que "esta pessoa é, de fato, uma diplomata", cujo estado de saúde se deteriorou, evoluindo para uma "falência múltipla de órgãos".

A diplomata chegou à Nigéria em um voo vindo de Uganda, informou nesta terça-feira (20) o ministro da Saúde, Muhamad Ali Pate, acrescentando que ela foi levada a um hospital particular na capital, Abuja, "onde recebeu atendimento durante vários dias antes de o diagnóstico ser confirmado".

Desde maio, a República Democrática do Congo (RDC) enfrenta o 17º surto da doença pelo vírus ebola em sua história, um surto que, em poucos meses, tornou-se o mais letal já registrado nesse imenso país da África Central. Até o momento, o surto ultrapassou 9.000 casos e causou 4.381 mortes, segundo um balanço das autoridades sanitárias congolesas de outubro.

Desde o início de outubro, o Quênia registrou nove casos, incluindo um óbito. A vítima era um cidadão queniano que vivia na RDC e que teria infectado as outras oito pessoas.

Surto na RDC superou 9 mil casos em outubro

O último balanço do pior surto de ebola registrado na República Democrática do Congo é de 13 de outubro, quando autoridades informaram que a doença superou os 9 mil casos, com mais de 4.000 mortes.

A RDC declarou oficialmente o último surto de ebola de sua história em meados de maio, mas especialistas acreditam que o vírus já circulava havia semanas ou meses. O surto infectou 9.066 pessoas e causou 4.381 mortes, com uma taxa de letalidade de 48,3%, informou o Instituto Nacional de Saúde Pública do Congo (INSP).

O ebola, que é transmitido pelo contato com fluidos corporais e causa uma febre hemorrágica grave, matou mais de 15.000 pessoas na África nos últimos 50 anos. O pior surto registrado anteriormente na RDC causou quase 2.300 mortes entre 3.500 casos notificados entre 2018 e 2020. No surto mais recente, foram registradas 2.389 recuperações.

Desta vez, o surto começou em Ituri, no nordeste do país, e se espalhou por sete províncias do norte e do leste. Os recursos de saúde são limitados nessas regiões, onde há presença de grupos armados.

Além disso, as comunidades locais desconfiam do pessoal médico e dos trabalhadores humanitários, o que provocou vários incidentes nos últimos meses.

O surto atual é causado pela cepa Bundibugyo do vírus, para a qual não há vacina, nem tratamento. As doses iniciais da vacina Ervebo, eficaz contra a cepa Zaire, a variante mais comum, foram administradas nas últimas semanas a voluntários como parte de um teste.