Geralmente encontrado em bovinos, vírus Shamonda nunca havia sido detectado em humanosAFP

Autoridades francesas anunciaram nesta quinta-feira (22) que o vírus Shamonda, transmitido por insetos e que geralmente afeta o gado, principalmente bovinos, foi detectado pela primeira vez em um ser humano. O infectado era um paciente imunodeprimido, que morreu no início deste mês.

"Apesar de várias décadas de circulação do vírus Shamonda na África e na Ásia, nenhum caso humano havia sido documentado até agora. Trata-se de um caso excepcional que ocorreu em um paciente gravemente imunodeprimido", hospitalizado em Lyon por uma patologia severa e que faleceu no início de outubro, informaram os ministérios da Saúde e da Agricultura em um comunicado conjunto.

Os ministérios afirmaram que a hipótese é a de "uma transmissão por meio da picada de um mosquito do gênero 'Culicoides' no leste da França, onde foi constatada a circulação do vírus entre animais durante a primavera e o verão".

Segundo as investigações realizadas, "as complicações cerebrais observadas no paciente imunodeprimido antes de seu falecimento estariam, com toda probabilidade, relacionadas com a infecção pelo vírus Shamonda", acrescentaram as pastas.

As autoridades destacaram, no entanto, que "até o momento não foi identificado nenhum risco de saúde para a população em geral". Ao mesmo tempo, prosseguem as investigações clínicas, biológicas e epidemiológicas, que foram comunicadas à Organização Mundial da Saúde (OMS) e ao Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças.

O gado bovino é considerado o principal hospedeiro entre as espécies animais que podem ser infectadas. Durante o verão, também foram identificados casos esporádicos de infecção em pequenos ruminantes e cavalos na França.

Nigéria confirma primeiro caso de Ebola

A Nigéria confirmou nesta quarta-feira (21) que o primeiro caso de ebola do país é da cepa Bundibugyo, variante responsável por uma epidemia na República Democrática do Congo. Durante uma reunião de emergência para tratar do surto, autoridades locais informaram que a paciente é uma diplomata.

"Realizamos três níveis de testes, todos de natureza molecular. A cepa revelou ser a Bundibugyo", declarou Olajumoke Babatunde, diretora do serviço de laboratórios de saúde pública do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Nigéria.

Outro funcionário esclareceu que "esta pessoa é, de fato, uma diplomata", cujo estado de saúde se deteriorou, evoluindo para uma "falência múltipla de órgãos".

A diplomata chegou à Nigéria em um voo vindo de Uganda, informou nesta terça-feira (20) o ministro da Saúde, Muhamad Ali Pate, acrescentando que ela foi levada a um hospital particular na capital, Abuja, "onde recebeu atendimento durante vários dias antes de o diagnóstico ser confirmado".

Desde maio, a República Democrática do Congo (RDC) enfrenta o 17º surto da doença pelo vírus ebola em sua história, um surto que, em poucos meses, tornou-se o mais letal já registrado nesse imenso país da África Central. Até o momento, o surto ultrapassou 9.000 casos e causou 4.381 mortes, segundo um balanço das autoridades sanitárias congolesas de outubro.

Desde o início de outubro, o Quênia registrou nove casos, incluindo um óbito. A vítima era um cidadão queniano que vivia na RDC e que teria infectado as outras oito pessoas.