Por marta.valim

CABUL - Ao menos nove civis, entre eles vários estrangeiros, incluindo um diplomata paraguaio, um jornalista afegão da AFP e crianças, morreram na quinta-feira em um ataque talibã contra um prestigiado hotel de Cabul, a duas semanas da eleição presidencial no Afeganistão.

Os talibãs, envolvidos em uma campanha de violência para perturbar as eleições presidenciais, reivindicaram a autoria deste atentado, que representa um novo sinal da degradação da segurança na capital afegã.

Na noite de quinta-feira, quatro jovens talibãs conseguiram ultrapassar os controles de segurança do hotel Serena, um estabelecimento muito frequentado por estrangeiros na capital afegã, com pistolas escondidas em suas meias.

Estes jovens abriram fogo por volta das 20h30 locais contra os clientes do hotel, onde alguns comemoravam o ano novo afegão, declarou o porta-voz do ministério do Interior, Sediq Seddiqi.

As forças de segurança mataram três horas depois os quatro criminosos.

"Segundo as últimas informações, temos que lamentar a morte de nove pessoas. Eram quatro estrangeiros e cinco afegãos", sem contar os criminosos, anunciou o porta-voz. Entre os falecidos há mulheres e crianças.

Um jornalista afegão da agência AFP, Sardar Ahmad, sua esposa e dois de seus três filhos faleceram no ataque, enquanto o caçula da família ficou gravemente ferido.

Sardar Ahmad, de 40 anos, trabalhava no escritório da AFP em Cabul desde 2003 e era um repórter veterano da agência no Afeganistão. Como jornalista, Ahmad cobriu para a AFP diversos aspectos da vida, da guerra e da política em seu país natal.

Em sua última reportagem, Ahmad retratava a nova vida de Marjan, um filhote de leão resgatado por um zoológico de Cabul, depois de passar meses no terraço de um rico empresário da capital.

As autoridades afegãs indicaram que os estrangeiros eram de nacionalidade canadense, neozelandesa, paquistanesa e indiana.

No entanto, o ministério das Relações Exteriores do Paraguai informou à AFP que um dos civis que perderam a vida foi o ex-diplomata paraguaio Luis María Duarte, que estava no Afeganistão como observador eleitoral.

Insegurança e eleições

As autoridades afegãs indicaram que o ataque tem uma relação direta com as próximas eleições presidenciais e acusaram os serviços de segurança do hotel de negligência.

"Os inimigos tentam organizar este tipo de ataques para frustrar os planos do povo afegão sobre seu futuro", disse Sediqqi.

O hotel Serena, estabelecimento de luxo com piscina, sala de esportes e vários restaurantes, foi alvo de outro ataque talibã em 2008, que deixou oito mortos.

"Segundo nossas primeiras conclusões, o ataque foi possível graças a uma falha no sistema de segurança do hotel", declarou o porta-voz do ministério do Interior.

"Ouvi disparos. Os guardas nos levaram a salas de segurança", declarou à AFP um funcionário da recepção, que pediu o anonimato.

Outra cliente do hotel, Jane Ferguson, jornalista da rede Al-Jazeera, escreveu no Twitter ter passado várias horas terríveis entrincheirada em seu quarto, cuja entrada foi bloqueada com móveis por ela.

O Afeganistão realizará no dia 5 de abril uma eleição presidencial para eleger o sucessor de Hamid Karzai, o único homem que dirigiu o país desde a intervenção militar ocidental contra os talibãs, em 2001.

Os talibãs já anunciaram sua intenção de perturbar estas eleições com ataques às autoridades políticas, eleitorais e a observadores.

O ataque ao hotel Serena também se soma a uma onda de atentados contra estrangeiros no Afeganistão.

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