Por marta.valim
Chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro da Estônia%2C Andrus Ansip%2C na assinatura do acordo político com a Ucrânia%2C em BruxelasOlivier Hoslet/AFP

BRUXELAS - Os líderes da União Europeia (UE) assinaram nesta sexta-feira com o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, o capítulo político de um acordo de associação, o mesmo que provocou a atual crise entre a Rússia e as potências ocidentais.

"É um momento importante", indicou no Twitter o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

"Simboliza a importância das relações e as levará mais longe", acrescentou. A UE, no entanto, já advertiu que este acordo não significa que a Ucrânia, que nesta semana abandonou a Comunidade de Estados Independentes (CEI, herdeira da URSS), vá se incorporar no médio prazo ao bloco.

Com este gesto político com um governo interino, os 28 membros da UE manifestam seu apoio à Ucrânia, que vacila diante de seu vizinho, que acaba de anexar um território que até então pertencia a Kiev.

O acordo foi assinado no segundo e último dia da cúpula de chefes de Estado e de governo da UE, que decidiu na quinta-feira aplicar medidas punitivas contra outras 12 personalidades russas vinculadas ao referendo de secessão da península autônoma ucraniana da Crimeia e a sua anexação à Rússia.

Com a assinatura do capítulo político deste acordo, a UE espera enviar "um sinal concreto da solidariedade europeia com a Ucrânia".

Os europeus esperam poder assinar os outros capítulos deste acordo de 1.200 páginas, essencialmente as disposições comercial, econômica, financeira e judicial, antes do fim do ano.

O acordo de associação UE-Ucrânia é o mesmo que o presidente ucraniano destituído Viktor Yanukovytch se recusou a assinar em novembro, o que provocou uma onda de protestos que conduziram à crise atual.

A UE prometeu no dia 5 de março um pacote de ajuda de 11 bilhões de euros às novas autoridades da Ucrânia, com um prévio acordo entre Kiev e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A assinatura do capítulo político desta sexta-feira pode desbloquear 1,6 bilhão deste pacote, embora também esteja condicionado às exigências impostas pelo FMI.

Antes mesmo da assinatura, no entanto, a UE já aprovou neste mês uma série de vantagens comerciais avaliadas em 500 milhões.

Yanukovytch estava prestes a assinar este acordo de associação com Bruxelas no fim de novembro, mas mudou de opinião no último minuto e optou, por sua vez, em estreitar os laços com Moscou, o que desencadeou protestos que levaram a sua destituição em fevereiro.

A assinatura do acordo ocorre cinco dias após o referendo mediante o qual os habitantes da península autônoma pró-russa da Crimeia decidiram por esmagadora maioria se separar da Ucrânia para se integrar à Rússia.

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