Oposição hindu obtém vitória esmagadora na Índia

Partido de Narendra Modi conquistou quase 330 cadeiras das 572 do Parlamento, número sem precedentes em três décadas. Resultado põe fim a 10 anos poder da dinastia Gandhi-Nehru no poder, desgastada pelo crescimento econômico frágil e escândalos de corrupção

Por marta.valim

Narendra Mod prometeu durante a campanha instaurar um governo forte e capaz de recuperar a economia da ÍndiaPrakash Singh/ AFP

Nova Délhi - O partido nacionalista hindu de Narendra Modi obteve uma vitória esmagadora nas eleições legislativas na Índia, acabando com 10 anos de poder da dinastia Gandhi-Nehru, desgastada por um crescimento econômico frágil e escândalos de corrupção.

Segundo as projeções divulgadas nesta sexta-feira, o Bharatiya Janata Party (BJP) de Modi e seus aliados conquistariam quase 330 cadeiras das 572 do Parlamento, o que representa uma maioria absoluta sem precedentes nas últimas três décadas.

O anúncio foi comemorado em vários pontos do país.

"A Índia venceu. Bons tempos estão chegando", escreveu no Twitter o provável futuro primeiro-ministro Narendra Modi.

"É o amanhecer de uma nova era. O lótus floresceu na Índia", afirmou o presidente do BJP, Rajnath Singh, em referência ao símbolo do partido.

O melhor resultado até então do partido havia sido obtido em 1999, com 182 deputados.

Os dirigentes do Partido do Congresso, que retornou ao poder em 2004, reconheceram a derrota, que pode ser a mais grave da história da formação que domina a vida política da Índia - com breves interrupções - desde a independência do país do Império Britânico, em 1947.

"Respeitamos a decisão. Assumo minha responsabilidade na derrota", afirmou Sonia Gandhi, presidente do partido, em termos similares aos do filho Rahul, candidato do partido.

"Gostaria de começar felicitando o novo governo. O povo concedeu um mandato. Nós nos saímos muito mal. Como vice-presidente do partido assumo minha responsabilidade", disse Rahul.

Rahul Gandhi - filho de Rajiv Gandhi e neto de Indira Ganghi, dois ex-primeiros-ministros assassinados quando estavam no cargo - realizou uma campanha considerada frágil pelos analistas.

Modi, filho de um vendedor de chá, de 63 anos, prometeu durante a campanha instaurar um governo forte e capaz de recuperar a economia da Índia, o país com a segunda maior população do mundo, com 1,237 bilhão de habitantes.

Após uma década de crescimento superior a 8%, o PIB da terceira maior economia asiática (depois de China e Japão) está em fase de desaceleração, com uma expansão de 5% em 2012/2013.

Otimismo dos mercados, receio das minorias

Vários políticos estrangeiros felicitaram Modi, entre eles o primeiro-ministro britânico David Cameron e o chefe de Governo paquistanês Nawaz Sharif.

Sharif, que desde sua eleição, em maio de 2013, tenta melhorar as relações com o país vizinho, felicitou o dirigente hindu pela "vitória impressionante".

Mas a vitória do partido nacionalista hindu gera temores de uma época difícil entre Índia e Paquistão, em consequência do papel de Modi durante o confronto étnico de 2002 quando era presidente do Estado de Gujarat.

Mil pessoas morreram no conflito, em sua maioria muçulmanas, ante a aparente passividade da polícia.

Os ataques dos críticos - um deles o chamou de "carniceiro de Gujarat" - e as advertências das minorias religiosas sobre as divisões que poderia provocar entre a população não parecem ter afetado sua popularidade.

A chegada de Modi ao poder forçará uma guinada radical dos grandes países ocidentais, que o boicotaram durante quase 10 anos por causa dos distúrbios.

Os indianos hinduístas representam 80% da população, contra 13% de muçulmanos. O restante está composto por minorias cristãs, sikhs e budistas.

Durante a campanha, Modi, que usou como exemplo o balanço de sua atuação na área econômica como governador do estado de Gujarat, evitou ressaltar as reivindicações nacionalistas mais radicais do BJP.

Para os analistas, o novo chefe de Governo será julgado principalmente por sua atuação na área econômica.

O mercado demonstra otimismo sobre a capacidade de Modi para superar as dificuldades da Índia, como as infraestruturas deficientes e a inflação galopante.

Além dos nacionalistas hindus, Modi também recebeu o apoio de parte dos mais pobres, que tradicionalmente votavam no Partido do Congresso por seus programas sociais.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia