Os preços mundiais dos alimentos caíram pelo terceiro mês consecutivo em junho, pois o custo dos grãos e dos óleos vegetais despencou em meio a expectativas de aumento da oferta, disse a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
O índice que engloba 55 itens de alimentação caiu 1,8% para 206 pontos, frente ao valor reformulado em maio de 209,8 pontos, informou hoje em um relatório on-line a agência da ONU com sede em Roma. Os preços mundiais dos alimentos foram 2,8 por cento mais baixos do que um ano atrás.
Os futuros do milho caíram 8,7% no mês passado em Chicago devido à perspectiva de uma safra recorde nos EUA, os maiores produtores do mundo. O trigo caiu 7,9%, pois se estima que as safras na Europa sejam maiores. Os estoques mundiais de grãos chegarão ao seu valor mais alto em 14 anos no fim da temporada 2014-2015, prognosticou a FAO hoje em outro relatório.
“O declínio do mês passado, que foi o terceiro consecutivo, foi em grande parte resultado de uma queda acentuada nos preços de cereais e óleos vegetais, após mais melhorias nas perspectivas de produção global”, escreveu a FAO.
A agência da ONU aumentou sua perspectiva para as safras de trigo, arroz e grãos grossos como milho e cevada para 2014-2015. A previsão é de que a produção global de grãos chegue a 2,5 bilhões de toneladas, 18,3 milhões de toneladas a mais do que o previsto no mês passado, disse a FAO.
A produção ultrapassará a demanda pelo segundo ano consecutivo, aumentando os estoques finais de grãos para 604,1 milhões de toneladas, o valor mais alto desde 2001, comparado com 573,9 milhões de toneladas de um ano atrás, segundo a agência da ONU.
Óleo vegetal
Um índice de preços de grãos da FAO caiu 5,2%, de 207 pontos em maio para 196,2, o maior recuo desde agosto do ano passado, comparado com 232,2 pontos doze meses atrás. Um índice de preços de óleos vegetais declinou de 195,3 pontos para 188,9.
Nos grãos, “a queda foi causada principalmente pelo enfraquecimento das cotações do trigo e do milho”, escreveu a FAO. “Em contraste, os preços do arroz subiram marginalmente em relação a maio, o que reflete principalmente a suspensão das grandes vendas de ações de empresas de capital aberto na Tailândia”.
Os preços dos laticínios caíram pelo quarto mês consecutivo desde seu recorde registrado em fevereiro em meio à alta da produção na Nova Zelândia e na Europa. A grande oferta de leite em pó está afetando o mercado, ao passo que uma demanda de importação “firme” fez com que os preços do queijo subissem, disse a FAO.
“Em junho, o declínio foi substancialmente menor do que nos três meses anteriores, o que sugere que o ajuste descendente dos preços pode estar chegando ao seu fim”, disse a agência
Previsão para o trigo
A FAO aumentou sua perspectiva para a produção mundial de trigo na temporada 2014-2015 em 4,5 milhões de toneladas, para 707,2 milhões de toneladas, comparado com 716,9 milhões de toneladas estimadas para 2013-2014. A previsão para grãos grossos foi incrementada para 1,29 bilhões de toneladas, em relação à estimativa de 1,27 bilhão no mês passado e abaixo das 1,31 bilhão de toneladas de um ano atrás.
O índice de preços mundiais do açúcar caiu de 259,3 pontos para 258. O mercado está preocupado com os efeitos de uma possível ocorrência do fenômeno climático conhecido como El Niño e indícios de precipitações de monção abaixo da média na Índia apontam para uma possível insuficiência na produção do segundo maior produtor de açúcar depois do Brasil, disse a FAO.
O índice de preços da carne da FAO subiu pelo quarto mês consecutivo, avançando de 192,8 pontos para 194,2, o maior nível pelo menos desde 1990, mostram dados da agência. O incremento foi resultado principalmente da alta dos preços da carne de porco por causa do surto do vírus da Diarreia Epidêmica Porcina nos EUA, segundo a FAO.